dd6eb3171c53f39c35ae9a7ac3c54f51-768x416

10 boas práticas em fusões e aquisições

Após os seis primeiros meses do ano, marcados por uma movimentação recorde no mercado de fusões e aquisições – mergers and acquisitions ou M&A em inglês – o cenário atual apresenta desaceleração. 

O volume global de fusões e aquisições caiu 17% em relação ao primeiro semestre de 2021 para US$ 2,1 trilhões, segundo dados compilados pela agência de notícias Bloomberg. O conjunto de fatores como inflação em alta, aperto monetário, tensões geopolíticas e cadeias de suprimentos ajustadas influenciaram na queda de volume de compras visto no ano passado.

Com isso, o movimento dos bancos é de recuo do financiamento para grandes transações. Isso se deve às negociações que caíram em todas as principais regiões e na maioria dos setores, com um número crescente de transações emperradas ou abandonadas. 

Segundo estudo da Refinitiv, fornecedora global de dados e infraestrutura do mercado financeiro, apesar desse cenário, o primeiro semestre de 2022 foi o melhor período para grandes acordos – negócios fechados acima dos US$ 10 bilhões –, resultando em uma alta de 11% em operações únicas nesse patamar. Entre as quatro principais operações, duas foram no setor de tecnologia: a aquisição da Activision Blizzard pela Microsoft por US$ 69 bilhões e a compra da VMware pela Broadcom por US$ 68 bilhões.

Estima-se que o mercado M&A poderá movimentar cerca de US$ 4,7 trilhões neste ano, segundo cálculos da consultoria Bain, publicados em seu relatório global de M&A.

Michael Santini, presidente executivo global do UBS, banco de investimentos, afirma: “O segundo semestre começou com volatilidade e, provavelmente, caminhamos para um mercado mais ativo de fusões e aquisições e IPOs em 2023, dado que o ciclo de alta de juros do Fed (banco central americano) será concluído quando encerrarmos 2022, possibilitando maior visibilidade sobre as perspectivas econômicas.”

Cenário Brasil e LATAM de fusões e aquisições 

O relatório Market Report Fusões e Aquisições/M&A Brasil, elaborado pela consultoria Kroll, reuniu os resultados das operações de M&A no Brasil de janeiro a junho de 2022 e revelou que o cenário de retração é muito similar ao mundial. Segundo a análise, incertezas globais combinadas com desafios internos, afetaram o volume de operações. Durante o período, foram anunciadas 735 transações, com uma baixa de 2,3% em comparação ao mesmo período de 2021 (752). Dessas, 94 foram apenas no mês de junho, 19,6% a menos em relação ao mesmo mês do ano anterior (117).

De acordo com o relatório, as 20 maiores transações (excluindo a operação de privatização da Eletrobrás) do primeiro semestre totalizaram mais de R$ 61,6 bilhões. Entre os setores mais aquecidos, estão os ligados à tecnologia, serviços financeiros, B2B e B2C, bem como logística, energia e produtos de consumo.

Já a América Latina, segundo o último relatório da Transactional Track Record, estudo preparado em parceria com a Aon e Datasite, teve um total de 1.621 fusões e aquisições, entre anunciadas e fechadas, por um valor agregado de US$ 50,094 milhões.

10 boas práticas em fusões e aquisições

A KPMG concluiu recentemente um estudo das principais práticas internas de M&A, ouvindo 221 organizações globais, incluindo empresas listadas na Fortune 500 e FTSE 350. Essas recomendações foram aprofundadas pela Grimes, McGovern & Associates, assessoria de fusões e aquisições norte-americana.

Loren Shifrin, CEO da Revolution Capital, fornecedor líder de serviços de factoring no Canadá e nos Estados Unidos, afirma em artigo na revista Forbes, que embora cada M&A seja único e deva ser gerenciado como tal, existem algumas práticas importantes em todos os processos.

Compilamos abaixo as principais recomendações para se ter diante de fusões e aquisições:

1. Transmita eficiência na negociação

Os principais departamentos de fusões e aquisições tendem a criar barreiras aos negócios por meio de dois métodos: o uso de comitês sequenciais, onde as propostas são analisadas antes mesmo que recursos adicionais sejam comprometidos, e através de um processo de documentação de transações mais completo, exigindo critério e transparência por parte da empresa no repasse de informações.

2. Trabalhe com sinergia

Alavancar recursos e compartilhar responsabilidades entre os canais internos da sua empresa e suas respectivas equipes aumenta as chances de sucesso.

3. Promova rodízios entre departamentos

Grupos de fusões e aquisições que fazem rodízio de funcionários entre as unidades de negócios são mais propensos a obter sucesso nas negociações. Treinar essas pessoas em processos de M&A ajuda a criar filtros de qualidade durante os processos de fusão e aquisição.

4. Quantifique e acompanhe

Para obter maior eficiência, além de treinar equipes, é preciso monitorar as atividades, saber se os gastos estão dentro da meta, se o trabalho está sendo conduzido de forma sinérgica e se as métricas operacionais estão sendo alcançadas. 

5. Utilize consultores

O uso de consultores externos traz benefícios durante o processo de negociação, gerando validação independente dos esforços internos, como indicadores de mercado, posicionamento competitivo da empresa ou análise contábil. 

6. Separe as atividades de Due Diligence

Procure manter separados as investigações e fluxos de trabalho da empresa-alvo, com as do mercado e da própria empresa. Tornar esses esforços distintos melhora o foco e torna o processo de due diligence replicável, aumentando a probabilidade de sucesso.

7. Valide as descobertas das diligências

Seja por meio de comitês internos ou consultores terceirizados, as empresas devem sempre validar as principais premissas do negócio e as descobertas das diligências. Executivos costumam dizer que esse processo de verificação é importante, não importa quão experiente seja o líder do negócio.

8. Garanta equidade

Um processo de M&A envolve confiança no(s) ex-diretor(es) da organização adquirida, evitando que eles se sintam enganados de alguma forma, já que isso pode comprometer a fusão. As melhores negociações são aquelas em que todos se sentem satisfeitos: então seja aberto, justo e honesto.

9. Promova o alinhamento cultural

Nos processos de M&A é comum a mentalidade “nós contra eles”. Trata-se de um tema recorrente e que pode ser bastante prejudicial à companhia. O choque cultural é real em ambos os lados e precisa ser tratado imediatamente. Para isso, o primeiro a fazer é estabelecer uma comunicação eficaz, de cima para baixo, onde todos estejam alinhados. Incentive os funcionários a usar palavras como “nosso” e “nós”: Nossos clientes, nossa equipe, nós asseguramos etc. Isso é fundamental para uma cultura corporativa forte.

É recomendável avisar imediatamente a todos que seus empregos estão seguros. Se os funcionários acreditam que estão sendo demitidos no primeiro dia, isso pode causar uma espiral descendente, da qual é difícil voltar, prejudicando a manutenção de um ambiente de trabalho saudável.

10. Aprenda o valor de uma reputação

Convide as partes envolvidas no processo para falar abertamente. A opinião deles sobre você é mais valiosa do que a sua opinião sobre você mesmo, porque reputação é tudo. Tenha cuidado para não prejudicar os relacionamentos já construídos, pois isso pode afetar negativamente o próximo negócio que você fizer.

Dicas úteis de M&A

A CBR doc, plataforma dedicada à busca de documentos, lista algumas iniciativas importantes em um processo de fusão e aquisição:

– Desenvolva um plano de execução;

– Defina interesses e alinhe expectativas;

– Avalie benefícios e riscos do M&A;

– Faça um valuation adequado;

– Busque um acordo alinhado;

– Dê atenção ao pós-closing;

– Explore experiências anteriores.

Quer se juntar a nós? Conheça o Accountfy Partner Program – nosso Programa de Parceiros que nos ajuda a ir mais longe. Ao aliarmos novas expertises à nossa plataforma de inteligência financeira, alcançamos mais organizações em todo o mundo, ampliamos ofertas e multiplicamos resultados. Venha crescer com a gente!

1599ec1bd12b5bada8e2ea04d5fe5bca-768x416

5 boas práticas e os erros comuns da modelagem financeira

A modelagem financeira se destaca como recurso essencial para projetar diferentes cenários e subsidiar o planejamento estratégico e orçamentário. Como na hora de buscar calcular os impactos futuros de decisões como cortes de custos, alocação de capital, implementação de projetos e investimentos.

Goldwasser Neto, CEO e cofundador da Accountfy, destaca a importância da análise de diferentes cenários através da modelagem financeira:

“Com a projeção de receitas, custos, despesas e capital de giro, os gestores podem entender melhor o que vem pela frente. Quando você modela isso tudo, comprimindo as informações em cenários diferentes, prevendo o que pode acontecer, você consegue antecipar o impacto no caixa. Assim pode se proteger melhor e ter um suporte na hora que decisões precisam ser tomadas”.

Neste texto, você entenderá o que é modelagem financeira, suas melhores práticas e os erros mais comuns cometidos ao elaborá-la.

O que é modelagem financeira?

Segundo o Corporate Finance Institute, a modelagem financeira é um processo usado para prever o desempenho financeiro de uma empresa no futuro, baseando-se em seus resultados anteriores e suposições sobre os próximos períodos e, assim, avaliar seus riscos e retornos. Pode ser feita através de ferramentas específicas ou planilhas.

Ao realizá-la, são utilizados demonstrativos de resultados, balanços patrimoniais e demonstrativos de fluxo de caixa. Formatos mais avançados de modelagem financeira podem ser elaborados através de demonstrativos adicionais como DFC, aquisição alavancada, fusões e aquisições e análises de sensibilidade, por exemplo.

5 boas práticas para modelagem financeira

No compilado Advanced Financial Modeling Best Practices: Hacks for Intelligent, Error-Free Modeling da Toptal, empresa americana de contratação de profissionais de tecnologia, o expert em finanças Alberto Bazzana, reúne algumas práticas propagadas em Wall Street para executar uma modelagem financeira eficiente, inteligente e minimizando erros:

1. Defina e siga o objetivo da modelagem 

Estabeleça um layout estruturado com os  resultados finais esperados previamente. Reservar um tempo para garantir que os stakeholders discutam e avaliem o projeto evita desvios de objetivos e garante uma previsibilidade mais precisa.

2. Estabeleça prazos para a produção e para a vida útil da modelagem

Uma das principais abordagens para uma modelagem financeira eficiente é elaborar cronogramas a partir da necessidade da previsão. Modelagens de longa duração podem conter quantidades maiores de detalhes operacionais, flexibilidades e recursos de sensibilidade, e o gestor deve avaliar o quão sustentáveis e compatíveis com as mudanças da empresa eles se mantêm ao decorrer dos períodos.

Para modelagens de curta duração, estruturas pré-fabricadas e o uso do rolling forecast podem maximizar sua velocidade de construção e proporcionar maior precisão nas projeções, mas precisam ser revisadas constantemente, pois defasam rapidamente.

3. Organize as estruturas da modelagem

Destacar claramente e separar os inputs das variáveis e hard-codes (valores fixos dentro do código fonte) e agregá-los em guias apropriadas também é uma boa prática, pois facilita a apresentação e a compreensão por usuários que não estejam familiarizados com o modelo, além de permitir sua fácil localização.

4. Simplifique os cálculos

Fórmulas complicadas podem ser substituídas por divisões de etapas mais compreensíveis. Apesar dessa prática resultar em uma planilha maior e com mais linhas, essa abordagem pode facilitar a revisão e a auditoria por terceiros, já que se trata de uma matriz contínua de dados, e não fragmentada em várias guias (ou até mesmo em outros arquivos de planilhas).

5. Crie uma guia de “erros a verificar”

Manter uma constante revisão no meio da construção da modelagem financeira pode custar tempo e retirar o foco de quem está elaborando e procurando entender a origem de determinados erros. Para isso, reunir pontos de atenção (células incorretas, números que não estão batendo, etc.) numa guia, pode ajudar a identificá-los e resolvê-los conjuntamente. 

A rede empreendedora Endeavor, em seu tutorial Nunca mais fique perdido ao construir uma projeção financeira, sugere alguns lembretes para conduzir o processo de modelagem financeira:

  • Listar todas as receitas e desembolsos de cada parte do modelo de negócio;
  • Pesquisar as premissas mais reais possíveis para cada conta da projeção; 
  • Calcular como cada uma se comporta no prazo da projeção;
  • Verificar o alinhamento entre a maturidade do time e o volume de investimento; 
  • Unir as contas em uma visão integrada;
  • Verificar o tamanho do mercado endereçável.

4 erros comuns a serem evitados na modelagem financeira

Victoria Yampolsky, presidente e fundadora da The Startup Station, consultoria especializada em modelagem e valorização de empreendimentos em estágio inicial, identificou os cinco erros mais comuns que os empreendedores cometem ao elaborar suas projeções, após revisar centenas de modelos financeiros em mais de quinze setores,:

1. Usar a geração de números aleatórios para criar projeções

A modelagem financeira é uma representação quantitativa da estratégia definida pelo planejamento, assim como uma ferramenta para medir sua eficácia, e propor números aleatórios pode atrapalhar sua visualização. Para otimizar seu uso, é necessário estabelecer objetivos alcançáveis e formular métricas condizentes para acompanhá-los.

2. Não usar um sumário financeiro

Em geral, a modelagem financeira pode ter várias partes e, para um investidor, compreendê-la totalmente pode levar tempo. Nesse caso, um resumo das premissas e dos resultados pode facilitar processos de due diligence e trazer clareza à apresentação das finanças da empresa.

3. Projetar necessidades de financiamento fora da modelagem financeira

Calcular necessidades financeiras adicionais com base na percepção do que a empresa precisa – em vez de incluí-las na modelagem financeira – pode levantar questionamentos desnecessários por parte dos gestores ou potenciais investidores, além de descredibilizar as projeções feitas.

4. Agregar incorretamente os dados financeiros nas três principais demonstrações financeiras 

Calcular corretamente os números das projeções provindas da Demonstração de Resultados, mas não fazê-los com o Balanço Patrimonial e com a Demonstração do Fluxo de Caixa pode gerar resultados equivocados. Para uma visão financeira confiável do negócio, os três devem ser adequadamente analisados.

Mais do que software, uma solução completa. Este conteúdo faz parte do propósito da Accountfy de apoiar a Governança Financeira das empresas com excelência. Conheça soluções e produtos para potencializar o trabalho de Contabilidade, Controladoria, Tesouraria, FP&A e do CFO. Saiba mais sobre a nossa plataforma financeira inteligente!