Como fazer ajustes de Ebitda relacionados à pandemia?

Tempo aproximado de leitura: 4 minutos

No último ano, as companhias tiveram suas atividades impactadas pela Covid-19 e muitas delas precisaram ajustar seus relatórios financeiros para acomodar os custos e despesas relacionadas à pandemia. 

O Ebitda, um dos principais indicadores de desempenho financeiro, é um dos documentos passíveis de adaptações, desde que haja transparência e lisura no processo.

Com os ajustes, o Ebitda é um aliado diante dos desafios da gestão financeira durante a pandemia, ao mesmo tempo, que é um instrumento valorizado pelos investidores e demais stakeholders de uma organização.

Continue a leitura e compreenda como o Ebitda pode ser ajustado em momentos de crise. 

O impacto da Covid na análise e produção da Ebitda 

Do inglês, “Earnings Before Interest, Taxes, Depreciation, and Amortization”,  que significa “Lucros Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização”, o Ebitda é uma métrica que acompanha o desempenho do lucro líquido de uma companhia. 

O Ebitda é uma exigência dos órgãos reguladores de companhias de capital aberto. No Brasil, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) é a instituição que acompanha, normatiza e fiscaliza o mercado de capitais, por consequência, é ela que orienta as especificidades do Ebitda para essas empresas. 

Na língua portuguesa, o Ebitda também é reconhecido pela palavra LAJIDA, acrônimo de  “Lucros Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização”. A sigla é o termo oficial usado pela CVM.

Diante de itens não recorrentes, é possível realizar uma avaliação do Ebitda para remoção de grandes anomalias. 

Segundo a Investopedia, para ajustar o Ebitda, deve-se continuar calculando o lucro antes da receita, impostos, depreciação e amortização; a esse valor são acrescentados despesas de juros, impostos de renda e encargos não monetários. São citados para o acréscimo as “despesas não rotineiras, como remuneração excessiva ou dedução de despesas adicionais”.

A PCE, uma das líderes mundiais em consultoria financeira, sugere que perante aos impactos da Covid-19 na gestão financeira exista o “Ebitda – C”, correspondendo ao relatório com os ajustes e as exclusões das distorções e despesas irregulares dos últimos meses.

Evidenciação do Ebitda ajustado segundo a legislação

No OFÍCIO-CIRCULAR/CVM/SNC/SEP/n.º 01/2021, a Comissão de Valores Mobiliários trouxe orientações sobre a elaboração das demonstrações contábeis para o exercício social encerrado em 31/12/2020. 

Tal documento especifica no item 3, o cálculo e evidenciação do Ebitda diante da Covid-19: a companhia pode optar por divulgar os valores do LAJIDA, “Lucros Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização”, e do LAJIR, “Lucros Antes dos Juros e Tributos”, excluindo os resultados líquidos vinculados às operações descontinuadas, sempre identificados pelo termo “ajustado”.

Outro item afirma “toda a divulgação relativa ao Ebitda deve ser feita de forma consistente e comparável com a apresentação de períodos anteriores e, em caso de mudança, deve ser apresentada justificativa, bem como a descrição completa da mudança introduzida”.

A divulgação dos valores do LAJIDA ou do LAJIR deve ser feita fora do conjunto completo de demonstrações contábeis. Toda instrução completa relativa à Ebitda segundo a regulamentação brasileira pode ser averiguada na íntegra pela Instrução CVM n. 527, de 04.10.2012.

Caminhos para as adaptações no Ebitda

O desafio, em um primeiro momento, é identificar quais são as despesas envolvidas para a gestão e controle dos impactos da Covid-19 aos negócios. Por isso, os registros organizados e minuciosos diante de cada gasto frente à pandemia são necessários.

O monitoramento dos custos e despesas traz transparência, demonstrando profissionalismo e controle, o que eleva a confiança dos investidores que, após esse período pandêmico, a lucratividade poderá voltar ao normal. 

Para a KPMG, é preciso compreender os detalhes de custo com a Covid-19 para a avaliação do Ebitda projetado. “Qual é o nível normal ajustado de custo por item de linha de lucros e perdas para ser capaz de modelar adiante?”

Tendo os números de custos e despesas para o controle da Covid-19, a PCE sugere que os auditores financeiros possam trabalhar em um múltiplo do Ebitda dos últimos 12 meses para estimar a métrica da companhia e assim apresentar os resultados. Repare no exemplo:

Não ajustado  Ajustado
Ebitda $ 5.000.000 Ebitda $ 5.200.000
Múltiplo Ebitda x8 Múltiplo Ebitda x8
Valor da empresa $ 40.000.000 Valor da empresa $ 41.600.000
Valor atribuído aos adicionais do Coronavírus: $ 1.600.000

A PCE Consultoria explica que o múltiplo depende da performance da companhia em seus últimos relatórios Ebitda apresentados aos investidores.

Para Brian Garfiel, diretor administrativo da empresa de consultoria Lincoln International, uma comparação em relação ao desempenho histórico deve ser priorizada na hora de mensurar e apresentar o potencial de lucro das companhias, uma vez que o Ebitda dos últimos doze meses durante a pandemia é um driver de avaliação incorreto, já que não captura o verdadeiro poder de lucro de uma empresa. Para ele, a companhia pode levantar dados de 2019 e inseri-los na correspondência dos lucros para se ter impressões mais reais.

As corporações e seus líderes financeiros devem assumir a responsabilidade de comunicar todos os ajustes e novos formatos de elaboração do Ebitda, dando transparência na constituição dos relatórios e apresentando números minuciosamente explicativos. É preciso de uma justificativa clara para a devida checagem da auditoria, seja ela interna e/ou externa.

A empresa brasileira Hypera divulgou sua expectativa de (Ebitda) ajustado com o valor de R$2 bilhões e de lucro líquido de R$1.5 bilhão. Junto aos relatórios está a exposição da meta de crescimento nos próximos três anos, melhorando a rentabilidade e retomando a margem Ebitda anterior à pandemia no patamar de 35%.

A recuperação diante da Covid-19 e a apresentação de resultados é desigual diante de diferentes setores e portes de companhias. Empresas como a TeamViewer AG, líder de software de trabalho remoto, atingiu o ponto mais alto de sua trajetória no mercado de ações durante a pandemia. Tanto que ela aumentou 35 milhões de euros nas despesas de marketing, patrocinando um time de futebol.  

O Ebitda previsto da TeamViewer AG era de 55% a 57% e foi ajustado para 49% a 51% devido ao alto valor do patrocínio. De maneira intencional, a perspectiva é que o investimento no marketing retorne em valorização para a TeamViewer no próximo ano.

Considerações

Ao adotarem os Ebitdas ajustados diante de um evento tão inesperado como a pandemia, as corporações demonstraram, com transparência, sua gestão financeira, a flexibilidade de seus modelos de negócio e principalmente como os seus líderes atuaram diante da crise.

Investidores estão atentos a como as companhias lidam com a pandemia e se preparam para a retomada rápida. O ajuste no Ebitda e a agilidade neste processo atestam como a empresa está preparada para superar desafios. Afinal, a constância e a maturação dos demonstrativos financeiros criam vínculos e mostram resiliência corporativa.

 

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