O papel da metodologia ágil na área financeira

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O conceito de metodologia ágil nasceu em 2001, no estado norte-americano de Utah, a partir da publicação do “Manifesto Ágil”. Este documento foi elaborado por um grupo de 17 desenvolvedores e propõe um conjunto de práticas que visam entregas de alta performance em um prazo curto, partindo de uma perspectiva diferente da gestão tradicional. 

Com a evolução do método, surgiram outras ramificações, sendo o Scrum, Lean e Kanban os mais comuns entre as empresas.

Nos últimos anos, a metodologia ágil na área financeira ganhou evidência, beneficiando o trabalho do CFO e seus colaboradores. O 12º Annual State Of Agile Report aponta que 24% das áreas de tecnologia de empresas adotam o método em suas rotinas, seguido pelas de finanças com 17%.

O mesmo relatório enumera os principais motivos para a adoção da metodologia ágil:

  • 75% – Entregas mais ágeis 
  • 64% – Gerenciar mudanças prioritárias
  • 55% – Aumentar a produtividade
  • 49% – Maior alinhamento entre negócio e TI
  • 46% – Aumento na qualidade das entregas

Neste post, iremos falar sobre o papel da metodologia ágil na área financeira, sua ligação com a transformação digital e como a cultura organizacional pode auxiliar nesse processo.


Como funciona a metodologia ágil na área financeira?

Diferente do que acontece com um planejamento na gestão tradicional, no qual as estratégias são definidas em sua totalidade, na metodologia ágil, as entregas se dão por etapas e de forma contínua. O resultado são tarefas desenvolvidas com mais eficiência e controle. 

Segundo Henk Pieter den Boer, especialista da PwC, a implementação de rotinas ágeis traz um impacto sistêmico em diversas funções financeiras, e pode facilitar a maneira de se trabalhar com planejamento e orçamento.
Este entendimento indica, entre outros aspectos, uma mudança de mentalidade e um maior alinhamento da área de TI com os CFOs no emprego das metodologias ágeis.

Veja alguns benefícios da metodologia ágil para a área financeira listadas por especialistas da PwC:

Controle de custos: O uso de recursos como a inteligência artificial, auxilia na otimização dos processos e, consequentemente, na redução de custos.

Redução de riscos: Com equipes menores, os riscos de erros de execução são minimizados consideravelmente, pois é possível identificar gargalos e corrigir desvios com maior eficiência.

Aumento da produtividade: Outro ponto central, uma vez que cada profissional saberá exatamente qual o seu papel e a importância de sua atuação para o êxito de cada etapa no processo. 

Maior transparência e acesso a dados: Processos colaborativos geram maior transparência e segurança nas rotinas financeiras e um acesso mais dinâmico às informações.

CFO e times mais integrados: O fortalecimento da liderança do CFO somada à participação direta dos demais colaboradores, gera um ambiente de trabalho mais produtivo e ágil.  

Atração e retenção de talentos: empresas que vivenciam novas formas de trabalho são mais atraentes para candidatos de alto nível e mais propensas a reter seus funcionários talentosos.

A conexão entre metodologias ágeis e transformação digital

Metodologias ágeis e transformação digital andam juntas. Uma conexão que vem ganhando força com o emprego de novas tecnologias e modelos de trabalho mais inovadores.

Na área de finanças, esta conexão acelera a automatização dos processos, favorece o mapeamento de dados e melhora o acompanhamento de prazos.

Segundo estudo da IBM, apesar das vantagens da transformação digital, 58% das empresas de médio e grande porte ainda conduzem sua gestão financeira de forma tradicional, usando planilhas em seus processos de planejamento e orçamento, mas 41% dos colaboradores dessas empresas afirmam não conseguir lidar com o volume desses dados.

O papel da tecnologia para uma área financeira mais ágil

Nos últimos anos, a tecnologia vem assumindo um papel transformador na área financeira, possibilitando a modernização dos processos e uma maior integração com
novas formas de trabalho, entre elas a metodologia ágil.  

O resultado são entregas melhores em prazos menores, dentro de ambientes mais dinâmicos
e inteligentes. Além disso, com o aporte na tecnologia, as tomadas de decisão acontecem de forma mais fluida e segura, o que auxilia o planejamento das organizações.

Segundo o CEO Survey 2021, da Deloitte Brasil, as empresas de serviços e financeiras são ass que mais investiram em tecnologia no ano passado. Contudo, para o bom aproveitamento das soluções tecnológicas, capacitar colaboradores e demais lideranças é sempre uma escolha inteligente.

O “Agenda 2022”, também da Deloitte Brasil, aponta que 9 em cada 10 empresas irão aumentar ou manter investimentos em qualificação tecnológica, como forma de responder à transformação digital.

O mesmo estudo indica que a maior parte desses investimentos se dará em sistemas, ferramentas de gestão, aplicativos e infraestrutura. Tudo isso, reflete a importância da tecnologia no ambiente financeiro.

A tecnologia aliada a metodologias ágeis podem trazer diferentes benefícios:

Agilidade nos processos: Novas metodologias reduzem significativamente o tempo gasto em atividades, o que pode ser convertido em produtividade para o setor.

Facilidade no acesso: Acessar seu banco de dados de qualquer lugar e em tempo real com os demais colaboradores é um grande diferencial.

Planejamento eficiente: Permite uma visão completa da real situação das finanças da empresa, alicerçando melhor as decisões futuras.

Controle de prazos: Precisão e rigor no controle de prazos é uma das muitas vantagens que a tecnologia traz à área financeira.

Segurança nas informações: Os softwares permitem a integração de diversos setores da empresa e um controle mais eficiente e seguro das informações.

Redução de erros: As informações, quando realizadas manualmente, podem gerar erros difíceis de serem identificados. Com a integração de dados digitais, a confiabilidade das informações é altamente superior.

O papel da cultura organizacional na criação de uma área  financeira ágil  

A pesquisa da consultoria Gartner aponta que 7 em cada 10 CFOs aceleraram suas iniciativas digitais em 2021, indicando que a transformação digital é imperativa na área de finanças.

Já o estudo da Accenture afirma que 72% dos CFOs são responsáveis pelo direcionamento tecnológico da empresa, o que contribui para a implementação de uma cultura ágil.

Pontos, como esses, abrem caminho para a adoção de novas metodologias e tecnologias na área financeira. Essa combinação de fatores fortalece a cultura organizacional, que contribui à criação de uma área financeira ágil, quando:

  • Incentiva a mudança de mindset da empresa, que passa a melhor compreender os objetivos traçados.
  • Auxilia na substituição de modelos tradicionais e, muitas vezes, engessados de gestão
    por novas metodologias
  • Une lideranças e colaboradores em prol de uma área financeira mais ágil.

Para materializar estas iniciativas, a figura do executivo de finanças tem se mostrado fundamental, pois cabe a ele transmitir os valores da empresa e validar internamente toda essa cultura.

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