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Boas práticas e termos técnicos de cibersegurança que CEOs e CFOs devem conhecer

No cenário empresarial moderno, a segurança da informação tornou-se uma peça fundamental para garantir a estabilidade e a integridade das operações. Com ameaças cibernéticas cada vez mais sofisticadas, os CEOs e CFOs desempenham um papel crucial na criação de uma cultura organizacional que priorize a segurança digital – e para isso é fundamental entender os conceitos essenciais da área.

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5 dicas para usar o orçamento base zero

Segundo Jeff Schmidt, vice-presidente de modelagem financeira do CFI – Corporate Finance Institute, o orçamento base zero (OBZ) é uma técnica que aloca fundos com base na eficiência e na necessidade e não no histórico. Nesse sentido, o OBZ contempla apenas as operações e despesas essenciais à condução do negócio.

Essa metodologia se ajusta às metas de curto e médio prazos e tem sido utilizada com frequência por lideranças financeiras, principalmente diante da necessidade de decisões corporativas mais ágeis e precisas.

Empresas que buscam controle orçamentário têm no OBZ uma estratégia para aumentar as margens sem alterar demasiadamente suas rotinas, o que auxilia a gestão financeira em períodos de instabilidade econômica.

Continue a leitura e fique por dentro dos principais benefícios e dicas de como implementar o orçamento base zero em sua empresa.

Benefícios de implementar o orçamento base zero

Vimal K Ramamurthy, consultor parceiro da EY Índia, afirma que, após a pandemia, muitas empresas adotaram o orçamento base zero para reduzir custos essenciais e se concentrar em suas prioridades, resultando em benefícios estratégicos.   

O orçamento base zero é um dos principais métodos para controlar os custos, e o papel do CFO e de outros profissionais da área financeira é fundamental neste processo. Juntos, eles devem acompanhar periodicamente o andamento do orçamento, tomar as medidas corretivas necessárias e converter a prática em benefícios tangíveis à organização.

Ramamurthy ainda afirma que a adoção e implementação do orçamento base zero pelas organizações, em todos os setores, pode resultar em:

– Otimização de custos globais da operação;

– Contribuição aos objetivos estratégicos do negócio;

– Criação de fundos para um futuro mais sustentável;

– Impulso na agenda de transformação da empresa.

Ao final, as economias feitas por meio do processo de orçamento base zero e os recursos humanos liberados podem ser direcionados para projetos de alta prioridade, gerando valor em longo prazo para os negócios.

O portal Accounting Tools reuniu vantagens do orçamento base zero. Entre elas:

Análise de alternativas O orçamento base zero faz com que os gestores identifiquem formas alternativas de realizar cada atividade, como mantê-la internamente ou terceirizar, bem como os efeitos de diferentes níveis de gastos. 

Inflação orçamentária reduzida Uma vez que os gerentes devem vincular os gastos às atividades, torna-se menos provável que eles possam inflar artificialmente seus orçamentos, sendo mais fácil detectar alterações.

Comunicação aprimorada O orçamento base zero tende a desencadear um debate entre a equipe de gerenciamento sobre os planos da empresa e como eles devem ser alcançados.

Eliminação de atividades não essenciais O OBZ incentiva os gerentes a decidirem sobre quais atividades são mais críticas para a empresa. Ao fazer isso, eles podem eliminar ou terceirizar aquelas não essenciais.

Identificação de redundâncias – Implementar um orçamento base zero pode revelar que certas atividades estão sendo conduzidas por outros departamentos, levando à eliminação daquelas  fora da área de competência habitual.

Revisão mais abrangente O uso regular do OBZ torna mais provável que todos os aspectos contábeis de uma empresa sejam examinados periodicamente.

Alocação de recursos – Se o processo for conduzido tendo em mente os objetivos gerais da empresa, haverá um forte direcionamento de fundos para as áreas mais necessitadas.

A consultoria Deloitte publicou um relatório que oferece uma visão geral sobre o orçamento base zero, citando também alguns exemplos de como o setor privado pode se beneficiar dele.

O estudo menciona que o OBZ pode ser especialmente útil às organizações com uma realidade financeira complexa, envolvendo fusões ou aquisições.

É o caso da
3G Capital, que adotou a abordagem base zero na rotina orçamentária das suas empresas adquiridas, como a AB InBev e Heinz. Em ambos os casos, esta prática significou uma mudança radical nos processos de orçamentação, com o objetivo maior de proporcionar e reter economias significativas, resultando:

– Em números mais justificáveis e alinhados à estratégia da empresa;

– Na ampla colaboração entre a organização e lideranças;

– Na melhora operacional e eficiência da área financeira.

Dicas para implementar o orçamento base zero

1. Determine os objetivos do orçamento base zero

O controller Justin Ueland, em artigo para o portal FP&A Trends, afirma que o primeiro passo para implementar um orçamento base zero é determinar seus objetivos.

Segundo ele, as empresas usam este tipo de orçamento para diferentes finalidades: reduzir custos, obter maior visibilidade das contas e controle sobre gastos, alcançar uma gestão orçamentária mais fluída, etc. Independente de qual será o objetivo do OBZ, é importante defini-lo com clareza, pois este fator irá nortear o processo orçamentário como um todo.

Para auxiliar na definição dos objetivos, pergunte-se:

– Qual é a meta total de redução de custos?

– Essa redução se dará de forma lenta ou imediata?

– Qual é o nível de influência da organização nesse processo?

– Existe um planejamento para adoção do OBZ? 

– Após sua implementação, quem estará no controle das informações?

A Integration Consulting, empresa de Consultoria Empresarial, publicou um conteúdo no qual reforça a necessidade de compreender o status quo da empresa e, só a partir daí, estabelecer os objetivos.

Ela afirma que analisa primeiramente os dados históricos, realiza entrevistas com as lideranças, compreende a estratégia da empresa, e as mudanças culturais necessárias para implementar o OBZ. Com isso, é possível chegar a um acordo sobre os objetivos do projeto e a dinâmica de implementação.

2. Mobilize o time e incentive a mudança

Luke Pototschnik, Mark Austin, Jaclyn Inglesby e Julie Graham, todos os quatro diretores do Boston Consulting Group, em artigo, afirmam que implementar o orçamento base zero pode trazer significativas transformações às empresas. Esse entendimento motivou a criação da expressão ZBT – Zero Base Transformation – transformação base zero em português.

Contudo, essa transformação irá depender de uma mudança de pensamento e novas formas de se trabalhar na
área financeira. E isso deve começar no topo: o CEO e o CFO precisam estar ativamente envolvidos não apenas na adoção do OBZ, mas também em articular como o método contribuirá para o crescimento de longo prazo da empresa.

Keith Ferrazzi, consultor em performance empresarial, em contribuição para a Forbes, revela que CFOs com visão de futuro estão abraçando a oportunidade de ajudar a definir métricas que apoiam culturas de trabalho positivas. E a adoção do orçamento base zero é um bom exemplo dessa mudança.

O Gartner, em seu
Gartner para Líderes Financeiros, Orçamento com base em zero: quando e como fazê-lo, ressalta dois pontos relacionados ao time financeiro:

Liderança comprometida Garanta o endosso dos líderes financeiros para que disseminem uma mensagem clara sobre a adoção do orçamento base zero entre os demais líderes.

Talento Treine gerentes de centros de custo ou de outros departamentos sobre como fazer um orçamento a partir do zero.

3. Busque um modelo de gestão transparente

Jackie Wiles, diretora de conteúdo do Gartner, em artigo, afirma que um dos aspectos fundamentais para implementar o OBZ é garantir a transparência financeira no processo.

Para isso, ela observa os seguintes pontos:

– Considere o equilíbrio entre as atividades e o custo dessas, para melhor identificar quais investimentos estão agregando valor e quais não estão. 

– Detalhe se esses custos são variáveis, fixos ou podem ser cortados em curto prazo.

– Verifique o impacto nos custos diante de alteração de gastos, por exemplo, multas contratuais, custos de rescisão, etc.

Sem esse nível de transparência, você não poderá ver as ineficiências ocultas nos serviços/projetos/iniciativas e não identificará os comportamentos que precisam ser corrigidos para alterar os custos.

Kweilin Ellingrud, executiva da McKinsey, em contribuição para a revista Forbes, vai na mesma direção e comenta que promover a transparência orçamentária é essencial em um OBZ.

Segundo ela, essa visibilidade em uma organização é capaz de apontar os recursos que não estão sendo usados ​​em todo o seu potencial e aqueles que podem ser realocados para um melhor retorno em áreas como marketing, pesquisa e desenvolvimento ou melhorias na cadeia de suprimentos.

4. Invista em tecnologia no orçamento base zero

Wigbert Böhm, um dos sócios da McKinsey, afirmou em entrevista para o conselho editorial da própria consultoria, que ferramentas e sistemas digitais são os maiores facilitadores à implementação do OBZ. Segundo o executivo, a digitalização está permitindo que empresas possuam repositórios de dados financeiros, gerando maior transparência e um detalhamento preciso na gestão orçamentária.

A tecnologia além de oferecer  transparência, permite uma análise detalhada de gastos em uma unidade de negócios ou entre unidades de negócios, de acordo com o centro de custo, categoria de custo e, às vezes, fornecedor.

Steve Berez, Gary Clare e Prasad Narasimhan, sócios da Bain & Company afirmam em artigo que, as tecnologias de automação e tomada de decisão estão expandindo o potencial de uma abordagem voltada à redução de custos, um dos objetivos centrais do OBZ. 

Mesmo entre as empresas que adotam o orçamento de base zero, poucas exploram todo o potencial das tecnologias, cada vez mais disponíveis e acessíveis para ajudar na automatização de tarefas, no gerenciamento de processos e na tomada de decisões. Os executivos citam três fatores de diferenciação quanto à implementação do orçamento base zero:

Custo e eficiência – A automação de tarefas e processos por meio de softwares reduz significativamente os custos de um orçamento tradicional, geralmente de 25% a 50%, podendo chegar até 65%. Também pode melhorar a eficiência, permitindo que essas atividades sejam executadas ininterruptamente.

Processos mais eficazes – A automação facilita a redução de erros e acelera o tempo de resposta para os clientes. Ela também permite que os dados sejam coletados e organizados rapidamente, permitindo que as empresas otimizem seus processos, façam previsões melhores e atendam aos requisitos legais com mais eficiência.

Percepções – Além de ampliar a eficiência no manejo dos dados, o uso da tecnologia ajuda a fornecer insights que levam a novos produtos e serviços e aprimoramento das entregas atuais.

5. Controle e monitore o orçamento

Jack Willes do Gartner, comenta em artigo que é importante manter uma revisão abrangente e regular dos custos e das suas variações, pelo menos trimestralmente e talvez mensalmente, para um melhor alinhamento com as prioridades do negócio e conter oscilações.

Este monitoramento garante que os gastos e as previsões permaneçam em conformidade com as atividades e os resultados esperados, conforme os objetivos do OBZ. Para isso, a consultoria indica o uso de métricas e KPIs para medir o valor e alinhar os gastos com as expectativas. A sócia da Setting Consultoria, Vera Maria Stuart, também afirma, em artigo, a importância dos indicadores na manutenção da eficácia do orçamento base zero. Segundo ela, é importante mensurar e acompanhar os resultados periodicamente. Para isso, os indicadores-chave de desempenho podem ser ótimas ferramentas.

Ueland, em outro artigo para o portal FP&A Trends afirma que, após a conclusão do orçamento e decisões sobre volume e taxa, é preciso manter um forte monitoramento e controle ao longo do ano. À medida que as variações negativas começam a se materializar, elas devem ser compreendidas e corrigidas.

O monitoramento também irá destacar as áreas de oportunidade para o próximo ano, possibilitando uma visão mais a longo prazo aos gestores financeiros.

liderança feminina

Liderança feminina na área financeira: desafios e perspectivas

O futuro da liderança feminina na área financeira é promissor. Segundo a Fortune 500, ranking das 500 maiores corporações do mundo, da revista Fortune, as empresas americanas têm mais CFOs mulheres do que nunca, mostrando que elas têm tomado mais espaço e mostrado resultados positivos nos últimos anos.

A pesquisa realizada pela Crist Kolder Associates mostra que a porcentagem de CFOs do gênero feminino atingiu um recorde histórico em 2021, representando 15,1% dos 678 CFOs entrevistados.De acordo com o relatório S&P Global, empresas com CFOs do gênero feminino apresentaram desempenho superior no preço das ações, em comparação com a média do mercado. Nos 24 meses após a nomeação, CFOs mulheres viram um aumento de 6% na lucratividade e retornos de ações 8% maiores. 

Mas ainda há um caminho a ser trilhado. Segundo o Female Founders Report, estudo elaborado pela empresa de inovação Distrito em parceria com a Endeavor, rede global de empreendedorismo, e com a B2Mamy, empresa que capacita e conecta mães ao ecossistema inovador, menos de 5% das startups são fundadas e lideradas por mulheres.

Para Ana Paula Pisaneschi, CEO e fundadora da fintech de renegociação de dívidas Uffa, a disparidade entre a presença de homens e mulheres nos cenários empresariais, especialmente no da inovação, está associada com os preconceitos relacionados ao gênero feminino.

“Estereótipos levam a sociedade a acreditar que somos menos confiáveis, mais frágeis, menos profissionais e, até mesmo, menos inovadoras. Como resultado, clientes, fornecedores, parceiros e investidores em potencial às vezes nos veem com ceticismo e nos associam a mais fatores de risco do que de oportunidade.”

Segundo a Bloomberg, a igualdade de gênero é uma discussão que está sendo levantada em várias frentes e busca abordar as principais áreas de inclusão, que estão criando mais oportunidades para as mulheres nas finanças e estimulando o desenvolvimento de negócios liderados por elas em todo o mundo.

De acordo com o levantamento, 31% dos conselhos corporativos são compostos por executivas. Elas possuem 39% dos cargos com altos salários e 61% das companhias exigem que haja diversidade de gênero para processos seletivos focados em gestão. Em média, 83% das entrevistadas têm uma estratégia direta para contratar mulheres.

Continue a leitura e saiba o papel, os desafios e as perspectivas da lideranças femininas na área financeira nos próximos anos.

Os desafios das lideranças femininas na área financeira

Denise Seiler, CFO e associada do W-CFO Brasil, grupo de integração de executivas de finanças, atribui o maior desafio da liderança feminina hoje às questões familiares e diferença nos salários entre homens e mulheres. De acordo com ela, a área financeira exige bastante dedicação, foco, longas horas de trabalho, e não é fácil para a mulher que quer equilibrar vida profissional e pessoal.

“Há momentos na vida que você pode desanimar ou precisa organizar sua carreira para poder se dedicar aos filhos, e depois retornar sua jornada. Além disso, há outros desafios, como ter que se provar tão ou mais competente que um homem para ter a mesma remuneração.”

Segundo a McKinsey, em seu artigo Closing the gap: Leadership perspectives on promoting women in financial services, equilibrar a vida profissional com familiar é citada por metade das mulheres de nível sênior como uma das principais razões para não querer exercer cargos executivos de alto escalão

No estudo da consultoria, quase metade dizem que continuam a arcar com a maioria das responsabilidades domésticas e familiares, enquanto apenas 13% de seus colegas homens dizem o mesmo. 

Em relação a diferença de salários entre lideranças femininas e masculinas, a análise da consultoria Willis Tower Watson revela que entre as empresas do S&P 1500 com mais de US$ 50 bilhões em valor de mercado, a diferença para mulheres CFOs é de cerca de 11% a menos.

A pesquisa Women in the Workplace, feita pela McKinsey, mostra que um dos principais desafios das mulheres é chegar aos cargos de liderança. Mulheres, especialmente de cor, têm pouca representação na liderança de empresas norte-americanas de serviços financeiros, por exemplo

Liderança feminina na área financeira: desafios e perspectivas

A Yale School of Management explica que um dos motivos de um homem chegar antes a esses cargos está relacionado ao ato de gestores subestimarem a liderança feminina através do estigma social e preconceitos inconscientes enraizados na cultura.

A Harvard Business Review ainda afirma que uma das razões pelas quais as mulheres têm maior dificuldade para avançar tão rapidamente quanto os homens é a própria falta de presença delas nessas posições. Segundo a pesquisa, quase 80% dos homens foram ativamente orientados por um CEO ou outro executivo sênior, em comparação com 69% das mulheres

A Forbes, em sua matéria 15 Biggest Challenges Women Leaders Face And How To Overcome Them, mostra que a falta de suporte de outras mulheres é um dos principais desafios. Sem mais lideranças femininas para pavimentar a trajetória, inspirar e incentivar, aquelas que entram no campo podem achar o caminho mais difícil de ser percorrido pela falta de apoio de gerentes. 

3 dicas para enfrentar esses desafios

Kristin Gayoso, especialista em contabilidade e diretora de finanças da empresa de softwares Simplebet, destaca algumas dicas para superar esses obstáculos:

  • Encontre uma mentora: Localizar lideranças femininas e estabelecer um networking com elas pode ajudar a criar novos laços de suporte e gerar aprendizado e confiança. Kristin utiliza um exemplo de quando mudou de emprego: “Havia apenas um punhado de mulheres na M&A Due Diligence, então fiquei motivada para conhecer todas elas. Trabalhei em estreita colaboração com uma gerente sênior, que me colocou sob sua asa, e ainda me lembro de muitos conselhos de carreira que ela me deu. Nunca esquecerei a maneira como ela conseguia falar com confiança em uma sala cheia de homens e explicar seu ponto de vista. A maneira como ela se portava exigia respeito e os parceiros geralmente concordavam com seus pontos de vista. Fui inspirada por sua confiança. Ela se tornou um modelo e, finalmente, uma mentora.”
  • Junte-se ou inicie um grupo de mulheres: Uma rede de conexões pode proporcionar um ambiente para todas se conhecerem, apoiarem umas às outras e interagirem com lideranças femininas que podem fornecer conselhos sobre como progredir na empresa. Também ajuda a ter um espaço para discutir os desafios que normalmente enfrentam.
  • Conheça os homens do departamento: Embora seja uma ótima ideia encontrar um grupo de apoio feminino, também é importante conhecer os homens no departamento, pois permite que você descubra quais deles são aliados e apoiam o avanço das mulheres no local de trabalho.

Para Kristin, “no final das contas, cada empresa ou equipe tem uma cultura diferente, impulsionada pelo pessoal que compõe o grupo. Navegar pelas diferenças pode ser um desafio, mas você crescerá aprendendo a trabalhar com vários tipos de pessoas. Embora ser mulher na contabilidade tenha seus desafios, altos e baixos, eu não trocaria minha trajetória profissional ou experiências por nada”.

De que forma a transformação digital está impactando a diversidade da área financeira?

Nos últimos anos, à medida que inovações foram implantadas no mercado, houve uma quebra de paradigmas que priorizavam gênero e deu-se espaço para qualificação técnica.

A necessidade de encontrar profissionais capacitados para desenvolver e operar essas tecnologias foi crescente, e com a falta deles, empresas tiveram de reestruturar sua cultura de diversidade e incluir pessoas capazes, sem distinção de gênero. Com esses avanços, o cenário está representando mais oportunidades do que desafios.

Para Denise Seiler, a transformação digital está ligada à cultura da empresa, e as que estão querendo se adaptar ao mundo digital e sua evolução tendem a dar mais espaço às mulheres e diversidade.

Em entrevista para a Sherpany, a presidente e fundadora da consultoria S2E partners, Cécile Bernheim afirma:

“Acho que as empresas estão, lenta mas seguramente, mudando, e muitas delas têm programas de diversidade para promover as mulheres. As mulheres precisam ousar, mostrar seus talentos e habilidades, para que possam obter posições de liderança. As empresas estão desenvolvendo seus negócios com a ajuda da digitalização, e as mulheres que são especialistas digitais, ou são digitalmente ágeis, claramente terão mais oportunidades oferecidas a elas.”

A especialista Elisabeth Oppenauer, no artigo Women in the digital transformation, da Digital Leaders, reforça que volatilidades e incertezas impulsionaram a adoção de um mundo tecnológico, e tecnologia digital é mais do que codificação. É também sobre pessoas e mudanças.

Para ela, a inevitável transformação digital leva à busca do know-how, e empresas não poderão se dar ao luxo de ignorar a influência e as habilidades das mulheres nesse quesito.

Perspectivas para a mulher na área financeira nos próximos anos

Para Denise Seiler, as expectativas são positivas: “Vejo hoje muito mais mulheres CFOs do que se via quando comecei minha carreira. Isso é ótimo. Mas ainda há um longo caminho pela frente. Precisamos mudar isso, e acredito que as mulheres tenham muita garra, e estão se unindo para chegar lá.”

Em entrevista para a Finance Monthly, Karen Penney, vice-presidente da Western Union Business Solutions, diz que as perspectivas para o futuro da mulher na liderança financeira são otimistas e que os resultados positivos gerados por essas líderes pode incentivar empresas a adotarem políticas de inclusão da liderança feminina.

A tecnologia e a automatização também têm contribuído para a inclusão e a oportunidade das mulheres provarem o seu alto valor. De acordo com Karen, nas últimas duas décadas, a transformação digital tem incentivado diversas empresas a promoverem o equilíbrio entre gêneros

O Termo de Compromisso aos Princípios de Empoderamento das Mulheres ou WEPs (Women’s Empowerment Principles), criado pela United Nations Global Pact com o objetivo de impulsionar a liderança das mulheres no ambiente de trabalho e na cadeia produtiva das empresas, também têm fortalecido a entrada de empresas com o objetivo de ampliar a liderança feminina.  A PwC, uma das assinantes do termo, por exemplo, estabeleceu uma meta de ter, ao menos, 30% de mulheres na alta liderança até 2025.

E a expectativa é que com mais mulheres na liderança, outras surjam. Segundo o relatório Liderança, representação e equidade de gênero em serviços financeiros, da Deloitte, para cada mulher adicionada ao C-level em uma organização, três mulheres ascendem a cargos de liderança sênior. Conhecido como efeito multiplicador, esse fenômeno é uma das razões mais importantes pelas quais as empresas devem reforçar os esforços para alcançar a equidade de gênero.

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startups

Passo a passo para uma revisão orçamentária com eficiência

Na área financeira, a revisão orçamentária significa fazer ajustes de acordo com fatores externos e cenários econômicos adversos, muitos dos quais são impossíveis de prever.

Sendo assim, a revisão do orçamento é uma correção dos rumos para os gastos de um determinado período, diretamente associada ao planejamento orçamentário e que prepara a companhia para o período, reduz riscos e maximiza oportunidades.

Neste post, vamos detalhar diversos pontos que envolvem a revisão de um orçamento e como tornar este processo mais eficiente dentro da empresa. Ao final, mostramos como a tecnologia pode auxiliar na construção e revisão de orçamentos.

O que é a revisão orçamentária empresarial

O escritório de finanças e tesouraria da universidade estadunidense de Princeton publicou, em seu site, que a revisão e o monitoramento orçamentário são dois componentes essenciais à gestão financeira, no sentido de identificar erros, anomalias, possíveis problemas de conformidade e variações orçamentárias significativas. O SEBRAE explica que o processo de revisão de um orçamento existe para corrigir eventuais erros, sendo indispensável que haja um acompanhamento constante. 

Vendas abaixo do estimado ou despesas acima do previsto, por exemplo, podem significar a necessidade de correções. Quanto antes as correções forem realizadas, menores serão os impactos no balanço da empresa e eventuais prejuízos.

Reuniões mensais, não muito distantes do encerramento do mês, são um bom exemplo de ações de acompanhamento. Nelas, os times podem discutir o desempenho das áreas e apresentar sugestões, como descontinuidade de um produto e melhorias na gestão de despesas.

Segundo o escritor de finanças Tim Stobierski, em artigo publicado no portal da Harvard Business School, o orçamento de uma organização determina como ela alavanca o capital para trabalhar em direção às metas. Por esse motivo, a capacidade de preparar e também revisar um orçamento é uma das habilidades mais importantes para qualquer líder de negócios.

O portal contábil AccountingTools, ao explicar os passos para elaborar um orçamento, reforçou três pontos que sintetizam o processo de revisão:  

Revise o orçamento – Convoque a equipe de gerenciamento para revisar o orçamento ponto a ponto. Destaque possíveis restrições e quaisquer limitações causadas por problemas financeiros. Lembre de anotar todos os comentários feitos pela equipe e encaminhe essas informações aos responsáveis pelo orçamento inicial, incluindo as observações e solicitações para alterar o documento.

Monitore o processo – Rastreie solicitações de alteração de orçamento pendentes e atualize o modelo de orçamento com novas revisões conforme elas chegam.

Emita o orçamento – Crie uma versão revisada e distribua a todos os destinatários envolvidos no processo.

Por que uma empresa deve revisar o orçamento

Um dos colaboradores da empresa de capacitação profissional BCN Treinamentos, Carolina Aleixo, em artigo, cita dois exemplos mercadológicos que ajudam a explicar por que uma empresa deve revisar seu orçamento e como isso pode afetar a sua realidade:

Exemplo 1 – Entrada de concorrente

Uma loja de material esportivo consolidada no mercado é surpreendida pela chegada de uma concorrente estrangeira que possui uma rede de estabelecimentos e ótima estrutura.

Com isso, a loja de material esportivo tem a necessidade de rever seu orçamento e analisar a possibilidade de expansão, bem como elevar o investimento nas áreas de marketing e vendas para não perder seus clientes para a concorrência. Nesse caso, uma profunda revisão orçamentária torna-se necessária e também urgente. 

Exemplo 2 – Aumento de receita

Já em outro momento, essa mesma loja tem um aumento inesperado da receita por conta do sucesso de um determinado produto e isso também faz surgir a necessidade de revisar o orçamento, considerando o impacto das vendas e alocação de recursos. Sendo assim, os gestores podem escolher as áreas que ganharão mais recursos ou projetos que serão colocados em prática visando este crescimento. 

Passos para uma revisão orçamentária com eficiência

Vicki Benge, colaboradora do portal de boletins informativos CHRON, pertencente à gigante de comunicação Hearst, em artigo, listou 5 passos para uma revisão orçamentária: 

1- Avalie os orçamentos atuais e passados

O primeiro passo em um processo de revisão é examinar o orçamento atual e comparar os gastos das alocações com base nos resultados anteriores. As categorias que falham repetidamente são aquelas que mostram os mesmos superávits e devem ser reavaliadas e revisadas.

Por exemplo, suponha que uma empresa trabalhe com um orçamento anual e tenha um superávit recorrente em fundos alocados para matérias-primas. Imagine que a mesma empresa experimente repetidamente um déficit no frete. 

Durante o processo de revisão orçamentária, o excedente médio de matéria-prima poderia ser realocado para o frete. No entanto, as áreas que apresentam um déficit recorrente precisam ser analisadas para descobrir por que suas operações excedem continuamente diante da alocação orçada.

2- Envolva os funcionários das áreas que precisam revisar seus orçamentos

Normalmente, empresas com vários departamentos e suas respectivas chefias podem ter seus orçamentos submetidos a um processo de revisão. Nesse sentido, cada gestor será  responsável pelo desenvolvimento e implementação de meios para revisar uma parte designada do orçamento para maximizar a receita geral.

3- Faça revisões mais recorrentes em projetos de curto prazo

Se uma empresa tem planos para expandir, por exemplo, e isso levará três anos para acontecer, ela pode precisar de revisões recorrentes do orçamento durante esse período para atender às metas de curto prazo. 

Após esse tempo, a empresa pode voltar para um orçamento mais fixo com metas de longo prazo. Além disso, uma empresa que introduz um novo produto pode precisar revisar continuamente o orçamento até que os números reais dos custos de produção e receita de vendas sejam comprovados e haja um equilíbrio entre eles.

4- Considere a revisão no caso de eventos isolados importantes

Parte de um processo de revisão do orçamento é fazer concessões para um evento único. Por exemplo, considere que uma empresa tenha um problema com peças ou suprimentos defeituosos e precise fazer ajustes para refazer a produção no curto prazo. Os gastos excessivos decorrentes dos processos anteriores devem ser contabilizados no orçamento por meio de revisão pontual.

5- Avalie continuamente suas revisões 

Um processo de revisão orçamentária não é uma atividade única. Em uma operação comercial bem gerenciada, cada novo orçamento é avaliado continuamente quanto à sua eficácia. Eles devem ser revistos regularmente, em parte ou no todo, com o objetivo de aumentar os lucros sem diminuir a qualidade dos produtos ou serviços prestados.

Dentro deste processo de avaliação contínua, a universidade de Southampton reforça, por meio de dicas, que as empresas devem monitorar seus orçamentos, criando agendas regulares que tratem do tema como prioridade, sem ter que esperar que as reuniões de urgência aconteçam. Dentro deste aspecto, a Universidade ressalta outros três pontos importantes:

Prepare-se para as reuniões

Antes de realizar uma reunião de revisão do orçamento, examine documentos e pontos de discussão relevantes, por exemplo:

– Identifique as estimativas que tenham sido feitas na preparação do orçamento original, e avalie o impacto sobre o orçamento atual;

– Procure saber a opinião de outros colaboradores, não necessariamente envolvidos na própria reunião de revisão orçamental;

– Esteja aberto a receber feedbacks sobre o seu orçamento, seja do seu gestor ou dos membros da equipe envolvidos na construção e revisão do seu orçamento. 

Concentre-se nas questões principais

Foque nos pontos mais importantes e sensíveis do orçamento, não entrando em detalhes mais superficiais.

Reveja cuidadosamente

É importante refletir sobre todos os aspectos do processo orçamental, desde a elaboração e negociação ao controle do documento durante todo o período de orçamentação. 

Se você usa planilhas, é preciso levar em consideração a possibilidade de erros. Nesse sentido, o Corporate Finance Institute, estima que 88% das planilhas contenham erros.

Tal dado serve de alerta para que contadores e controllers redobrem sua atenção na hora de construir e revisar um orçamento. Segundo o Instituto, os erros mais comuns estão nas categorias preenchimentos de dados, cálculo, fórmula e formatação.

6 – Verifique as receitas e despesas

O NI Business Info, Guia com informações sobre revisão de orçamento, oferecido pela Invest Northern Ireland, Agência Regional de Desenvolvimento Econômico da Irlanda do Norte, destaca a importância de verificar receitas e despesas e como proceder.

Segundo o Guia, para aferir a receita real, a cada mês, você deve compará-la com seus orçamentos. Para fazer isso, as empresas devem:

-Analisar os motivos que geraram déficits: por exemplo, volumes de vendas mais baixos, mercados estagnados e produtos com baixo desempenho;
-Considerar estes motivos dentro de uma alta rotatividade: por exemplo, avalie também suas metas, talvez elas podem estar muito baixas;

-Comparar o cronograma de suas entradas com suas projeções e verificar se há adequação contábil.

A análise dessas variações ajudará você a definir orçamentos futuros com mais precisão e também permitirá que você tome medidas quando necessário.

Para um melhor controle das despesas, faça uma revisão comparando-as com os itens do seu orçamento. Isso ajudará você a prever custos futuros com maior confiabilidade. Neste caso, você deve:

-Observar como seus custos fixos diferem de seu orçamento;

-Verificar se seus custos variáveis ​também estão de acordo com seu orçamento. Normalmente, eles ​​se ajustam de acordo com seu volume de vendas;

-Analisar quaisquer razões para mudanças na relação entre custos e volume de negócios;

-Verificar quaisquer diferenças no cronograma de suas despesas, por exemplo, observando as condições de pagamento dos fornecedores. 

7- Tome as medidas corretivas adequadas

A universidade de Southampton também citou que, diante de problemas, certifique-se de que todos estão de acordo quanto às medidas corretivas e os ajustes orçamentários. Ademais, atribua responsabilidades, documente tudo o que foi acordado e emita a nota da reunião no prazo de 24 horas.

8- Comunique o andamento dos processos

No entendimento da instituição de ensino, pode ser motivador para sua equipe ou departamento ouvir boas notícias, por exemplo, que o seu orçamento está 20% à frente da projeção para o trimestre. Da mesma forma, não retenha más notícias, a menos que haja uma razão muito boa para isso. 

9- Estabeleça pontos-chave de aprendizagem

Depois de ter tido a oportunidade de realizar uma ampla e minuciosa revisão e avaliar as opiniões do time de finanças, é importante enumerar as principais lições aprendidas. Estas devem ser traduzidas em pontos de ação acordados e postos em prática.

Em complemento a todos estes passos, destacamos o que pensam três membros do Conselho Empresarial da revista Forbes sobre a importância de revisar um orçamento:

Realize avaliações ao final de cada mês

Maurice Harary afirma que, ao final de cada mês, você deve revisar todas as despesas em seu cartão de crédito, extrato bancário e folha de pagamento para garantir que as informações batem com a realidade. Também é o momento de fazer uma avaliação dos seus gastos e o que valeu a pena ter investido. 

Mantenha uma agenda de revisões de custos

Natalie Barnes diz que compreender as demonstrações financeiras é uma necessidade fundamental ao administrar um negócio. Nesse sentido, agendar revisões de custos envolvendo serviços públicos, seguros, publicidade, entre outros, pode ajudar a diminuir as despesas gerais.

Reconciliar mensalmente

Para Muraly Srinarayanathas, a reconciliação contábil consiste na verificação dos saldos contábeis com documentos e informações provenientes de fontes independentes, no intuito de identificar irregularidades, analisá-las e refletir sobre os devidos ajustes na contabilidade. Por isso, é importante acompanhar tudo para ter uma visão geral e identificar áreas de maior eficiência orçamentária.

Se você não estiver rastreando com precisão e consistência, poderá ignorar gastos redundantes ou desnecessários. Embora possa ser tedioso, a reconciliação mensal é fundamental, acrescentou o membro do conselho.

Pontos importantes na hora de revisar seu orçamento

No início de cada ano é comum traçarmos metas e projeções financeiras e nos questionarmos sobre os próximos meses. Sendo assim, quando mais realista for o orçamento, melhor será a gestão financeira da sua empresa.

Kathy Dise, CEO da consultoria estadunidense Budget Ease, afirma que existem 5 perguntas que devem ser feitas ao revisar um orçamento, sendo estas:

1- Você está atingindo suas metas de vendas? Se não, como você lidará com a situação?

  • Adicionando novos produtos?
  • Eliminando produtos não lucrativos?
  • Precificando seu produto corretamente?
  • Seu plano de marketing/vendas está sendo seguido?
  • Qual é a receita que as mudanças podem trazer?
  1. Há eventos novos/inesperados a serem considerados? Em caso afirmativo, quais despesas e receitas potenciais estariam envolvidas?
  • Publicidade?
  • Custos legais?
  • Viagens nacionais e/ou internacionais? 
  • Qual é a previsão de receitas?
  1. Haverá contratações, quantas? E qual será o custo disso?
  • Será meio período, período integral ou ambos?
  • Os benefícios estão envolvidos?
  • É necessário terceirizar a folha de pagamento?
  1. Se a equipe aumentar, há mais coisas a considerar também?
  • Serão necessários custos de infraestrutura?
  • Quanto tempo de treinamento e por qual custo?
  • São necessários mais suprimentos?
  1. Seu aluguel está programado para aumentar?
  • Quando e quanto?
  • Haverá algum aumento nos serviços públicos?

Ao responder a essas perguntas, você poderá ajustar seu orçamento e aumentar suas chances de sucesso. Com um orçamento detalhado e um processo de revisão em vigor, as chances de atingir seus objetivos serão bem maiores.

A tecnologia auxiliando a revisão orçamentária

Na hora de traçar um orçamento, contar com informações discrepantes da realidade pode ser prejudicial para a saúde financeira da empresa, que depende de dados concretos para realizar projeções e estipular gastos corretamente.

O resultado disso, são horas e horas gastas com revisões de orçamentos que, se fossem construídos de forma correta, não apresentariam erros.  

Segundo o BARC – The Planning Survey 16, principal pesquisa anual do sobre usuários de software de planejamento e orçamentação, que entrevistou 1.245 pessoas sobre o uso de softwares de planejamento e orçamento, 52% responderam que usam software especializado para apoiar esses processos. 

De acordo com a pesquisa, essas empresas reconheceram o valor agregado que o software de planejamento pode fornecer para apoiar e melhorar os processos. No entanto, 33% ainda usam planilhas sem um banco de dados ou funcionalidade de planejamento específico como instrumento principal.

Além dos riscos sistêmicos como bugs e perdas de arquivos não salvos, ainda existe a falta de segurança e controle interno nas planilhas que contribui para que seus dados possam ser facilmente alterados e manipulados, capazes de gerar prejuízos. 

Um pequeno deslize nas planilhas de orçamento custou 24 milhões de dólares à TransAlta Corporation, empresa de geração de energia elétrica canadense, por exemplo. O responsável pela preparação da planilha errou um comando de copiar e colar que não foi detectado a tempo.

Exemplos como esse já fizeram com que muitos CFOs e controllers repensassem seus métodos de construção e revisão de um orçamento. Nesse sentido, a tecnologia tem trazido muitos benefícios às áreas financeiras de muitas empresas.

O relatório Global planning, budgeting and forecasting survey Insights report, da Deloitte, diz que as planilhas ainda dominam, mas seu uso para planejamento, orçamento e forecast está diminuindo gradativamente, enquanto é perceptível o uso crescente de ferramentas SaaS (Software as a Service).

Segundo dados da mesma pesquisa, 57% dos CFOs e diretores de FP&A completam o planejamento orçamentário dentro de três meses. Enquanto isso, apenas 5% conseguem concluir o processo em apenas um mês – em 2014, esse número era de 16%, o que revela a crescente complexibilidade e tempo despendido no orçamento nos últimos anos.

Nesse sentido, plataformas de gestão de performance corporativa ou CPMs (corporate performance management), por exemplo, atuam como aliadas.

A criação de diversos cenários para a previsão de orçamentos, investimentos e cortes também fazem parte da funcionalidade dessa ferramenta, e são essenciais para que o gestor financeiro obtenha panoramas sobre situações futuras e prepare o caixa da empresa antecipadamente. 

Essas plataformas podem oferecer automatização de tarefas rotineiras do processo orçamentário, como o fluxo de caixa direto e indireto, DRE e Balanço Patrimonial, por exemplo, garantindo maior rapidez na sua conclusão.

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Como usar a gestão financeira em meio a uma crise

A Pesquisa Global sobre Crises 2021 da PWC, ouviu 2.800 líderes empresariais em todo o mundo e analisou a resposta da comunidade empresarial e a gestão de crise em relação a uma situação de disrupção social, econômica e geopolítica sem precedentes. Recém-saídos de uma crise sanitária, 62% das lideranças brasileiras revelaram que seus negócios foram impactados negativamente pela Covid-19 (73% no mundo) e 33% disseram que estão em situação melhor do que antes do início da pandemia (20% no mundo).

Planejar e se preparar para uma crise, porém, é um trabalho constante de análise de riscos. 98% dos líderes de negócios no Brasil disseram que seus recursos de gestão de crises precisam ser melhorados (95% no mundo) e 54% alteraram a estratégia corporativa em resposta à crise (77% no mundo).

E nessa jornada, construir resiliência é algo importante. 7 entre 10 organizações no mundo relataram que planejam aumentar seus investimentos para desenvolver maior resiliência. 92% das empresas que tinham um processo de revisão de suas ações em vigor antes da Covid-19 e que realizaram uma revisão formal, também planejam ter um processo em vigor para crises futuras.

Com um 2023 ainda rodeado de incertezas devido a diferentes prognósticos de crises, principalmente financeiras e políticas, aumentam também os riscos. Por este motivo, gestores buscam desenvolver estratégias para reduzir o impacto de futuros prejuízos, tendo no planejamento e na gestão financeira, um dos seus principais alicerces.

A consultoria Gartner estima em seu relatório The Top 8 Cybersecurity Predictions for 2021-2022 que até 2025, 70% dos CEOs exigirão uma cultura de resiliência organizacional para sobreviver a ameaças de ataques e falhas cibernéticas, eventos climáticos severos, distúrbios civis e instabilidades políticas.

E para manter-se preparadas nesse panorama volátil, as empresas precisaram se adaptar e uma gestão financeira é apenas um dos pilares de uma boa gestão de crises. 

A importância do planejamento e da gestão financeira em uma crise

Um bom planejamento alinhado a uma gestão financeira de ponta é fundamental para uma empresa que pretende enfrentar qualquer tipo de crise. Keith Suchodolski, CFO do Banco Kearny, em artigo para o portal de finanças SF Magazine, afirma que pandemia do Covid-19 “ensinou” às organizações a capacidade de planejar estrategicamente e ajustar o curso das suas ações conforme as mudanças globais.

Para tanto, analisar o cenário atual, avaliando o que essas condições significam para o futuro é de particular importância para os gestores financeiros, sendo que estes executivos normalmente operam com uma estratégia voltada para o futuro. Suchodolski, enumera algumas perguntas-chave que os gestores devem fazer na tentativa de obter maior clareza sobre o problema e como agir estrategicamente.

1) Que tipo de crise estamos enfrentando?

Dica: a partir de uma visão macro, foque nas particularidades da crise e seus principais desafios, medindo consequências e projetando ações de contenção.

2) A situação pode piorar ou o pior já passou?

Dica: é fundamental entender o questionamento anterior para, só então, dimensionar o seu real impacto, recalcular a rota se necessário e agir com maior segurança.

3) Quando haverá recuperação e de que tipo será?

Dica: após ter claro os dois primeiros pontos e tomadas as medidas estratégicas, é hora de reavaliar o cenário e entender possíveis sinais de recuperação e alternativas a seguir.

Além disso, o executivo do Banco Kearny menciona que qualquer plano estratégico precisa enfatizar a avaliação de forças, fraquezas, oportunidades e ameaças, por meio da ferramenta de análise estratégica SWOT

O SEBRAE, Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, publicou em seu portal um artigo sobre gestão financeira em tempos de crise, no qual levanta diversos aspectos importantes para o empreendedor. No texto, Ricardo Abreu chama atenção sobre os erros mais comuns que o empresário pode cometer no seu dia a dia:

– Confusão entre o patrimônio individual e empresarial;

– Falta de planejamento financeiro;

– E contração de dívidas sem a previsão de receitas.

Em complemento a este cenário, o texto ainda trata da importância de aproveitar o momento de crise para replanejar o destino da empresa. E, caso não exista um planejamento detalhado, que contemple todas as metas, objetivos e os planos de ação, é necessário tomar algumas medidas: 

1. Planeje-se

Primeiramente, faça um levantamento das despesas previstas para os próximos três meses, separando os valores de acordo com o tipo de despesa.

2. Analise suas despesas

Observe que, ao conhecer as despesas a serem pagas nos próximos meses, o empreendedor encontrará maior facilidade para definir as ações corretivas, priorizando as despesas com maior impacto nos negócios e que sejam passíveis de negociação. 

3. Ajuste os gastos

Com uma possível redução no faturamento, o empreendedor deve ajustar suas despesas de acordo com essa situação, tomando as seguintes providências: 

 – Negocie com fornecedores um aumento nos prazos de pagamento dos seus compromissos;

– Havendo dívidas, procure renegociar visando também aumentar o prazo de pagamento com uma taxa de juros compatível à sua realidade, adequando o valor mensal ao seu faturamento;

– Evite fazer despesas que não sejam extremamente necessárias à continuidade dos negócios, pois elas podem afetar a sua liquidez. 

 4. Busque formas alternativas de faturamento

O empreendedor pode também tomar providências para aumentar o seu faturamento:

– Fazendo promoção de produtos que estão há muito tempo em estoque; 

– Disponibilizando serviços de entrega para manter o nível de compra dos clientes

– Diversificando e ampliando as formas de pagamento;

– Implementando a estratégia de divulgação dos seus produtos por meio do marketing digital: facebook, whatsapp, instagram, etc. 

 5. Fique atento ao fluxo de caixa

Realize a gestão do fluxo de caixa da empresa, considerando as receitas e despesas previstas para não correr o risco de não ter capital para honrar seus compromissos.

É necessário, também, focar nas particularidades financeiras da sua empresa, entre elas: cuidar das contas; levar em consideração as projeções econômicas e de juros; entender se haverá alguma forma de alívio ou compensação do governo; e avaliar o comportamento de outras organizações, concorrentes ou não diante da crise.

A ABES – Associação Brasileira das Empresas de Software – em seu curso Gestão Financeira em tempos de Crise, pontua que o empresário necessita conhecer os riscos de liquidez que podem deflagrar uma crise, por meio de uma análise e ações envolvendo:

Liquidez: mostra a capacidade de uma empresa para saldar seus compromissos de curto prazo.

Ativos: são usados para medir a rapidez com que contas são convertidas em vendas ou em caixa.

Endividamento: mostra o montante de recursos de terceiros que está sendo usado na tentativa de gerar lucros.

Lucratividade: são os lucros da empresa levando em consideração o volume de vendas, os ativos e o investimento na empresa.

A importância de planejar cenários em meio a crise

O consultor financeiro Jack Alexander, em artigo publicado na Financial Management, explica que “o propósito do planejamento de cenários vai além de estimar o impacto. O verdadeiro benefício é quando os líderes identificam e avaliam as possíveis ações indicadas em cada caso”.

Tony Klimas, presidente da consultoria norte-americana Horváth, em relatório sobre a função financeira em cenários turbulentos, afirma que “eventos macroeconômicos severos requerem intervenção nas operações e correções dramáticas de curso para a estratégia dos negócios”.

Para o professor, Paul Schoemaker, especialista em decisões financeiras e planejamentos de cenários, em artigo publicado para a FP&A Trends, a previsão é “o ato de avaliar o desempenho da organização durante um período definido no futuro”.

Paul ainda explica, em artigo para o  ResearchGate, portal de estudos científicos, que os cenários de previsão são normalmente narrados contando diferentes histórias sobre o futuro. Segundo o autor, o objetivo é desafiar a mentalidade das pessoas, estimulando estratégias, diálogo e reflexão.

Segundo ele, as empresas devem planejar cenários principalmente quando:

1 – A incerteza dificulta a capacidade de prever ou ajustar rotas;

2 – A empresa acumulou prejuízos num passado recente;

3 – Novas oportunidades são percebidas como insuficientes;

4 – A qualidade do pensamento estratégico é insuficiente;

5 – A indústria passou por mudanças transformadoras;

6 – Concorrentes planejam obter vantagem competitiva.

Em um contexto preditivo, destaca-se também o profissional de FP&A, que realiza suas previsões com base em diferentes cenários e oferece recursos preestabelecidos para uma possível crise no futuro. 

De acordo com o Corporate Finance Institute, o FP&A é um dos principais pilares do desempenho financeiro de organizações e auxilia nas decisões tomadas pelos CEOs e CFOs. Os departamentos de FP&A adotam, entre outras práticas, o Rolling Forecast, ou previsão contínua, em português. Trata-se de um processo no qual as empresas buscam prever o desempenho futuro a partir das informações da companhia, com revisões frequentes.

Na prática, a empresa que adota o rolling forecast projeta, no mínimo, doze meses à frente, ao mesmo tempo, se compromete com sua revisão a cada mês ou trimestre. Dessa maneira, o orçamento sempre é um ponto de atenção e há como dimensionar o desempenho real em relação ao plano financeiro.  

Melhores práticas de gestão financeira na crise

Falco Weidemeyer, líder global de recuperação e reestruturação da EY, cita cinco passos essenciais recomendados às empresas no caso de uma crise empresarial.

1. Colocar o bem-estar dos empregados acima de tudo

Colaboradores representam o maior ativo de qualquer empresa. Em tempos de crise, as organizações têm a responsabilidade de agir no melhor interesse de suas pessoas, bem como clientes e stakeholders. 

É necessário identificar alternativas de trabalho e reimaginar os negócios, cumprindo ao mesmo tempo as leis trabalhistas, de forma a colocar, em primeiro lugar, a saúde e a segurança dos empregados.

2. Comunicar de forma rápida, clara e transparente

As melhores linhas de comunicação são as mais abertas. Comunicações claras, rápidas e transparentes são essenciais em todos os cenários empresariais. Em cenários de crise, isso é ainda mais verdadeiro, especialmente se for necessário garantir suporte contínuo de clientes, funcionários, fornecedores, investidores e autoridades reguladoras.

3. Mantenha as despesas sob controle e tenha reservas para o caso de um déficit orçamentário

Determinar como a crise afeta os orçamentos e os planos de negócios é fundamental. Se o impacto for material e os pressupostos orçamentais e planos de negócio anteriores já não forem relevantes, mantenha-se ágil e reveja-os. Quando o negócio for significativamente impactado, considere os requisitos operacionais mínimos, incluindo as principais dependências de força de trabalho, fornecedores, localização e tecnologia.

Se necessário, considere a mobilização de capital a curto prazo, o refinanciamento da dívida ou apoio de crédito adicional de bancos ou investidores, ou o suporte político do governo.

4. Identifique e conserte o processo da cadeia de suprimentos

Diante de uma crise, é provável que a maioria das empresas sofra disrupções significativas nas suas operações e tenha um desempenho inferior durante todo o período de turbulência.

Ao trabalhar com cadeias de suprimentos impactadas, as organizações precisam manter contato regular com seus fornecedores, para se certificar quanto à sua capacidade de entregar bens e serviços, e elaborar planos de recuperação.

Reimaginar o modelo da cadeia de suprimentos, alavancar ecossistemas digitais e redes de mercado, permitindo novas formas de colaboração são exemplos de medidas de contenção.

5. Prepare-se para o inesperado

Além das adversidades comuns, certas crises podem apresentar desafios legais que não estavam previstos. Sendo assim, as empresas terão que conduzir avaliações de risco contratual e identificar ações preventivas e, até mesmo, estar preparadas para adotar cláusulas de “força maior” quando necessário.

Como usar a tecnologia na gestão de crise

Segundo pesquisa feita pela Consultoria McKinsey, quase 70% das companhias aceleraram a adoção de novas tecnologias e a digitalização de processos e sistemas, principalmente pós-pandemia, e a tendência é que esses números aumentem ainda mais até 2030.

A Deloitte, em seu relatório “Finanças 2025: Transformação digital em finanças – nossas oito previsões sobre tecnologia digital para CFOs”, aponta que as novas plataformas de gerenciamento de performance corporativa e automatização desafiarão o ERP tradicional e outros mecanismos ultrapassados. 

Além de plataformas tecnologicamente superiores, é fundamental que haja uma maior integração de dados entre as diferentes áreas de uma empresa. Nesse sentido, a Deloitte também afirma que muitos departamentos financeiros ainda enfrentarão desafios com a desorganização de dados e falta de compatibilidade entre sistemas.

Segundo Nilly Essaides, diretora sênior de pesquisa financeira/EPM do The Hackett Group, em artigo para a FP&A Trends, o modelo operacional de finanças esperado em 2025 trabalhará com uma visualização de dados conjunta, com todas as informações da empresa armazenadas em um só banco.

Por isso, alguns questionamentos são comuns para quem busca uma solução em finanças, tais como: qual é o software ou plataforma ideal para minha empresa? Dentre tantas opções, é comum a confusão entre as entregas do ERP e do CPM.

Caso sua empresa não tenha um ERP, caberia contratar um CPM primeiro? Ou então, se o CFO precisa de uma plataforma para análise, o ERP dará conta sozinho? A resposta para essas perguntas passa pela necessidade dos gestores pesquisarem qual ferramenta ou plataforma de gestão financeira é capaz de atender às suas expectativas e qual delas pode auxiliar decisões estratégicas

Todas estas premissas, bem como evolução tecnológica têm se mostrado essenciais para os líderes da área financeira, que poderão se dedicar mais às atividades estratégicas, inclusive voltadas à mitigação de riscos diante de uma crise.

O papel do CFO na gestão de crise

Shaun Taylor, CFO do Standard Chartered Bank, em editorial publicado na SF Magazine, destaca que a crise financeira de 2008-2009 catapultou muitas empresas para uma nova era de maior investigação e supervisão regulatória. Ao mesmo tempo, ampliou a relevância sobre a governança corporativa e as tomadas de decisão, principalmente em áreas-chave onde mudanças drásticas eram necessárias.

Ele assinala que o CFO tem o poder de adaptar-se a cenários adversos, exercendo um papel vital na orientação das empresas em tempos de incerteza. Nesse sentido, o executivo de finanças de hoje já é considerado um parceiro valioso, capaz de assumir o leme de organizações complexas e liderar uma força de trabalho altamente especializada.

Com uma mentalidade proativa e vontade de adquirir novas competências, o CFO moderno está posicionado para enfrentar desafios atuais e os que surgirão no futuro, por meio de diferentes habilidades, entre elas:

– Micro e macro análises (para identificar o cenário e coletar insights estratégicos);

– Habilidade comunicacional (com o time financeiro e demais stakeholders);

– Gestão de custos e investimentos (levando em consideração pessoas e processos).

Bobbie Ramsden-Knowles, sócia de crise e resiliência da PwC UK, comentou em um dos episódios do podcast Take on Tomorrow, que os executivos tradicionalmente se concentram em lidar com as consequências imediatas de um desastre, mas em uma era de incerteza contínua, eles precisam criar estratégias para ameaças de longo prazo com base em análises detalhadas de cenários que mapearam. E os CFOs têm um papel decisivo, unindo diferentes perspectivas em toda a diretoria e no C-Suite, observou ela.

Diante de uma crise, é fundamental que a área financeira esteja, cada vez mais, preparada tecnologicamente. E o CFO se mostra fundamental não só no desenvolvimento de estratégias de mitigação de riscos e enfrentamento de problemas, como na avaliação da infraestrutura tecnológica necessária.

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Os assuntos mais lidos pela área financeira em 2022

Em 2022, diversos temas de importância global marcaram a realidade das empresas e foram pautas obrigatórias entre CFOs e profissionais do time de finanças, seja para guiar decisões, seja para incrementar e reciclar conhecimentos. 

Esses temas também mostraram a importância de uma área financeira mais estratégica. De acordo com a McKinsey, em seu artigo “Finanças 2030: quatro imperativos para a próxima década”, nos últimos dez anos, a área financeira reduziu os custos em quase 30% e gestores usaram 19% mais tempo em atividades de valor agregado.

De 2022 até 2030, o objetivo é alcançar níveis ainda mais altos de eficácia e, para isso, os executivos precisam mudar suas prioridades para minimizar erros, impulsionar a velocidade nos fluxos de trabalho e gerar maior precisão.

Com a chegada de um novo ano, fomos atrás dos assuntos mais lidos, comentados e compartilhados em nosso blog para que você possa se preparar e refletir sobre os principais desafios de 2023: FP&A, liderança feminina, certificações e metodologia ágil são apenas alguns deles. 

Confira. 

Os 5 assuntos mais lidos pela área financeira em 2022

1. xP&A: o futuro do planejamento e análise financeiros?

O termo xP&A foi utilizado pela primeira vez em 2020, pelo Gartner, que o caracterizou como uma evolução do financial planning and analysis (planejamento e análise financeiros) ou FP&A. O xP&A permite que áreas como finanças, vendas, marketing, RH e TI, por exemplo, possam sincronizar seus planejamentos em tempo real, dinamicamente e com maior previsibilidade.

Também possibilita um relatório micro da saúde financeira em cada um dos departamentos, levando em conta suas demandas, seus custos e retornos. Assim, é possível criar planejamentos estratégicos, considerando a empresa como um todo.

De acordo com a consultoria, o conceito de xP&A potencializa uma transformação no planejamento financeiro e é listado como uma das principais tendências de FP&A para os próximos anos.

2. Como fazer um balancete e evitar os erros mais comuns

Diferentemente do balanço patrimonial, que é realizado anualmente, o balancete ou balancete de verificação pode ser feito mensalmente, quinzenalmente, ou sempre que houver a necessidade de analisar um resultado parcial da empresa ou entender indicadores para traçar estratégias.

O balancete é fundamental para o controle das movimentações financeiras, pois auxilia na tomada de decisão e traz mais segurança à empresa, principalmente em cenários de alta competitividade.

Sob o ponto de vista estratégico, o balancete é útil na rotina de contadores e controllers, pois auxilia na administração dos recursos e previsão de cenários futuros. Nesse sentido, o CFO tende a obter uma fotografia da empresa. Além disso, essa demonstração contribui para uma maior transparência da área financeira.

Erros no balancete são comuns e podem acontecer em qualquer empresa. Eles vão desde entradas duplicadas, não realizadas, entradas na conta errada e invertidas, bem como erros na alteração de dígitos e entradas não equilibradas. 

3. Certificação CMA: tudo o que você precisa saber

O Certified Management Accountant, ou Contador Gerencial Certificado, no português, é um título concedido aos profissionais financeiros e contábeis que concluem o programa CMA do Institute of Management Accountants (IMA).

Os profissionais que obtêm esse certificado são conhecidos como CMAs e possuem expertise e preparação para uma variedade de funções, principalmente as de controller financeiro e CFO. O programa tem uma duração entre 12 a 18 meses e se baseia na qualificação e proficiência em contabilidade e análise financeira

Além dos benefícios salariais e oportunidades de carreira, a certificação CMA proporciona uma extensa preparação em habilidades cruciais para quem deseja se tornar um gestor contábil ou financeiro do alto escalão, além do reconhecimento como autoridade no assunto. 

Profissionais com esta certificação podem executar tarefas de FP&A, tomada de decisão, gestão de riscos e investimentos, entre outras atividades essenciais do negócio que exijam maior compreensão e capacidades analíticas, não somente em contabilidade, mas também em negócios e finanças.

4. Liderança feminina na área financeira: desafios e perspectivas

O futuro da liderança feminina na área financeira é promissor. Segundo a Fortune 500, ranking das 500 maiores corporações do mundo, da revista Fortune, as empresas americanas têm mais CFOs mulheres do que nunca, mostrando que elas têm tomado mais espaço e mostrado resultados positivos nos últimos anos.

De acordo com pesquisa realizada pela Crist Kolder Associates, a porcentagem de CFOs do gênero feminino atingiu um recorde histórico em 2021, representando 15,1% dos 678 CFOs entrevistados.

A tecnologia e a automatização também têm contribuído para a inclusão e a oportunidade das mulheres provarem o seu alto valor. De acordo com Karen, nas últimas duas décadas, a transformação digital tem incentivado diversas empresas a promoverem o equilíbrio entre gêneros.

5. O papel da metodologia ágil na área financeira 

Nos últimos anos, a metodologia ágil na área financeira ganhou evidência, beneficiando o trabalho do CFO e seus colaboradores. O 12º Annual State Of Agile Report aponta que 24% das áreas de tecnologia de empresas adotam o método em suas rotinas, seguido pelas de finanças com 17%.

Diferente do que acontece com um planejamento na gestão tradicional, no qual as estratégias são definidas em sua totalidade, na metodologia ágil, as entregas se dão por etapas e de forma contínua. O resultado são tarefas desenvolvidas com mais eficiência e controle. 

Segundo Henk Pieter den Boer, especialista da PwC, a implementação de rotinas ágeis traz um impacto sistêmico em diversas funções financeiras, e pode facilitar a maneira de se trabalhar com planejamento e orçamento.

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Cibersegurança, privacidade de dados, ESG e automatização lideram tendências financeiras de 2023

Realizada pela Protiviti, consultoria global em negócios, a Pesquisa de Tendências Financeiras 2022 traz informações e indicativos para o setor de finanças, em especial ao CFO e alto escalão financeiro.

O estudo, que teve mais de 1.000 participantes em diversos países, aborda uma série de aspectos relevantes no dia a dia de muitas empresas, entre eles: segurança e privacidade de dados, automatização de processos, recursos tecnológicos, ESG, cadeia de suprimentos e gestão de talentos.

Esses temas desafiam CFOs do mundo inteiro a se posicionarem como um dos principais articuladores na estratégia e no relacionamento com o board executivo das empresas, mesmo diante de um cenário composto por tensões geopolíticas, volatilidade da taxa de juros e inflação crescente.  

Os resultados da pesquisa confirmam que os CFOs seguem contribuindo e agregando valor à organização, indo além dos limites das atividades financeiras e contábeis tradicionais. Neste texto, trazemos as principais reflexões do estudo, além de outros indicadores e perspectivas da área financeira para o futuro.  

Temas importantes para as lideranças financeiras em 2023

Destacamos os cinco temas que mais estão impactando e despertando o interesse das organizações, levando em conta o cenário global e a realidade de transformação tecnológica da área financeira.

1. Modelos de trabalho flexíveis

Estão em ascensão por serem especialmente vantajosos na hora de buscar talentos qualificados para lidar com relatórios financeiros, ações estratégicas e atividades de Project Management Office (PMO).

A pesquisa aponta uma verdadeira “guerra” na busca por talentos qualificados na área de finanças. Por isso, as organizações estão apostando em provedores e plataformas tecnológicas para suprir habilidades e recursos sob demanda, em meio a condições de mercado incertas.

2. Segurança e privacidade dos dados

Assim como em anos anteriores, estes dois temas continuam sendo encarados como prioridade máxima entre os CFOs, sendo que cada vez mais esses executivos estão focados em uma cultura de segurança nas empresas. Contudo, também merecem destaque outras ações importantes, incluindo relatórios de análise de lucratividade e habilidades de liderança.

3. Blockchain

Essa tecnologia, bem como contratos inteligentes ganharam força entre os executivos e já figuram entre as principais tendências financeiras e investimentos entre as empresas, junto de automatização, aplicativos de finanças, dados em nuvem, entre outros. 

4. Estratégias ESG

CFOs e líderes financeiros estão dedicando mais tempo, atenção e recursos para iniciativas ESG, bem como incluindo o conceito no planejamento regular da empresa, o que fortalece outra importante sigla, a D&I (Diversidade e Inclusão).

5. A inflação preocupa

O tema também vem ganhando espaço na agenda do CFO, principalmente no que tange às medidas internas que estão sendo tomadas para conter a alta de preços e o consequente impacto nos demais segmentos da empresa, além das principais atualizações e tendências.

Tendências financeiras que irão guiar as decisões em 2023

Segundo reportado pela pesquisa, o maior foco do board de finanças ainda está voltado aos investimentos tecnológicos, principalmente tendo a cibersegurança como prática preventiva, automatização de processos para melhoria da performance e redução dos riscos corporativos.

Segurança e privacidade de dados: 73% dos CFOs e VPs de finanças vão priorizar esse tema na área financeira para os próximos 12 meses. E o cumprimento desse objetivo requer também:

– Determinar se os incidentes de cibersegurança aumentam para um nível de “materialidade”;

– Assegurar a devida atenção ao controle de violações quando elas ocorrem;

– Relatar ataques cibernéticos e esforços de reparação para investidores e outras partes interessadas;

– Divulgações sobre políticas e procedimentos de gestão e supervisão de risco de cibersegurança.

Tecnologia e automatização de processos: 71% dos CFOs e VPs de finanças visualizam a automatização de processos como prioridade máxima para sua organização financeira nos próximos 12 meses, em comparação a 65% de outros profissionais de finanças.

As crescentes contribuições estratégicas da área financeira e o seu alcance para “além das finanças” tornam imperativo que os CFOs se comprometam com a transformação contínua e a implementação de tecnologias avançadas, fazendo uso de ferramentas de automatização e tecnologia que impulsionam essa jornada. 

Além disso, os CFOs e líderes financeiros estão reavaliando o que a transformação financeira requer e avaliando as habilidades profissionais necessárias para alcançar esses objetivos,

Os principais CFOs entendem que a transformação digital não é um destino, mas sim uma viagem contínua, e que nesta jornada, é importante selecionar as iniciativas certas a seguir.


ESG: 75% das equipes de finanças estão assumindo os riscos ESG e entendendo essa realidade como parte da sua função. Além disso, 40% dos CFOs e líderes financeiros estão levando em conta a cultura ESG na sua rotina de decisões. A Europa vem liderando a divulgação de relatórios sobre ESG, mas outros países já estão adotando esta prática rapidamente. 

Os CFOs ajudam suas organizações em diversos aspectos sobre ESG:

– Coleta de novos dados enquanto ajusta simultaneamente a base de dados;
– Adoção de melhores processos e ferramentas tecnológicas;
– Garantir maior precisão e eficácia de todos os aspectos relacionados ao ESG.

Cadeia de suprimentos: 45% das organizações estão mais focadas em garantir uma receita flexível e consistente do que buscar apenas eficiência em sua cadeia de suprimentos. Uma série de grandes interrupções na cadeia de suprimentos causou danos de dois dígitos e o declínio do valor das ações de muitas empresas

Segundo CFOs, o problema reside na fragilidade do modelo atual da cadeia de suprimentos, com seu foco estritamente definido em custo/eficiência, sem levar em conta outros aspectos como a confiabilidade, capacidade de resposta e resiliência de fornecedores, bem como disponibilidade de fontes alternativas qualificadas de abastecimento. 

Quais são as prioridades gerais do CFO para os próximos anos

Além dessas tendências financeiras, a pesquisa da Protiviti destaca 10 prioridades do CFO e VP de Finanças e outros pontos que também exigem atenção do executivo de finanças.

1) Segurança e privacidade dos dados;
2) Relatórios e análises de rentabilidade;
3) Contratos inteligentes, a partir de blockchain;
4) Aplicativos baseados em nuvem;
5) Planejamento e análise financeira (FP&A);
6) Promover novas demandas e expectativas dentro da organização;
7) Manutenção do perfil de liderança dentro da organização;
8) Melhoria e mineração dos processos de trabalho;
9) Maior automação e infraestrutura tecnológica;
10) Foco em liderança, desenvolvimento e recrutamento de talentos.

Conheça o AccountCast: o podcast de inovação e insights para profissionais de finanças: contadores, controllers, tesoureiros, analistas de FP&A, conselheiros, CEOs e CFOs. Tudo sobre Governança Financeira de um jeito descomplicado!

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As principais certificações para profissionais da área financeira

De acordo com o recente relatório da Robert Half, consultoria de soluções em talentos, 91% dos gestores seniores estadunidenses afirmam ser desafiador encontrar profissionais qualificados em finanças e contabilidade.

Num cenário de amplas oportunidades e alta concorrência, buscar qualificar-se pode ser a melhor opção para os que procuram se tornar profissionais mais completos e requisitados. Neste artigo, você encontra as principais certificações para profissionais da área financeira, detalhes, requisitos, vantagens e expectativas. Confira.

As principais certificações para profissionais da área financeira e como obtê-las

CMA – Certified Management Accountant

O Certified Management Accountant (CMA), ou Contador Gerencial Certificado, no português, é uma das principais certificações para profissionais da área financeira. Reconhecido mundialmente, é emitido pelo Institute of Management Accountants (IMA), uma das maiores associações contábeis do mundo.

Segundo o instituto, o certificado abre oportunidades para alavancagem profissional, melhores salários e preparação para assumir funções como controller e CFO.

Para obtê-lo, é necessário ser aprovado em um exame composto por duas partes, que envolvem competências gerais de gestão financeira, como análise e planejamento estratégico. Após isso, completar o programa do instituto, que leva em média de 12 a 18 meses. Além disso, deve:

  • Ter sua filiação ativa no IMA;
  • Possuir um diploma de bacharel de uma faculdade ou universidade credenciada ou uma certificação profissional relacionada;
  • Ter dois anos contínuos de experiência profissional em contabilidade gerencial ou gestão financeira, que podem ser concluídos em até sete anos após a aprovação no exame;
  • E concluir o programa em no máximo três anos.

Certified Financial Planner – CFP®

O Certified Financial Planner (CFP) é uma certificação para profissionais da área financeira emitida pelo Financial Planning Standards Board, que tem como objetivo incentivar e promover o compromisso com a prática competente e ética no planejamento. No Brasil, o órgão que o regula é a Planejar – Associação Brasileira de Planejamento Financeiro, que reúne todos os profissionais CFP do país. 

Segundo a instituição, para se obter a certificação é necessário ser aprovado no exame composto por 140 questões de múltipla escolha, que abrangem planejamento financeiro, gestão de ativos e investimentos, gestão de riscos e seguros, planejamento fiscal, e planejamento sucessório. A prova é aplicada em abril, agosto e dezembro.

Além disso: ter ensino superior completo, ter ao menos cinco anos de experiência profissional no atendimento direto com cliente pessoa física comprovada e aderir ao Código de Conduta Ética e Responsabilidade Profissional e Melhores Práticas, regras estabelecidas pela associação que visam o comprometimento com a ética.

CNPC – Cadastro Nacional de Peritos Contábeis

O Cadastro Nacional de Peritos Contábeis (CNPC), estabelecido pela Resolução CFC n.° 1.502/2016 do Conselho Federal de Contabilidade, tem o objetivo de oferecer ao judiciário profissionais qualificados como Peritos Contábeis. 

O Perito Contábil tem a possibilidade de auxiliar juízes em situações nas quais as provas de um caso dependam de conhecimentos específicos da área contábil e do Código de Processo Civil Brasileiro (CPC).

Para obter o cadastro no CNPC, o contador deve estar devidamente registrado no Conselho Regional de Contabilidade de sua jurisdição e ser aprovado no Exame de Qualificação Técnica (EQT), também instituído pelo CFC. 

O exame consiste em seis provas, aplicadas em dias consecutivos, geralmente em agosto. Segundo a norma NBC PP 02, que o regula, entre as competências abordadas estão:

  • Legislação Profissional;
  • Ética Profissional;
  • Normas Brasileiras de Contabilidade, Técnicas e Profissionais, editadas pelo Conselho;
  • Federal de Contabilidade, inerentes à perícia;
  • Legislação Processual Civil aplicada à perícia; 
  • Língua Portuguesa e Redação;
  • Direito Constitucional, Civil e Processual Civil afetos à legislação profissional, à prova pericial e ao perito.

CGMA – Chartered Global Management Accountant

O Chartered Global Management Accountant (CGMA), ou Contador de Gestão Global Credenciado em português, é uma certificação para profissionais da área financeira e contábil emitida pela Association of International Certified Professional Accountants (AICPA), uma das maiores associações do mundo, com mais de 689 mil membros. 

A designação é destinada a profissionais financeiros e contábeis que tenham um diploma de bacharel ou superior em contabilidade, finanças ou negócios. 

Segundo a AICPA, o CGMA é a principal credencial de contabilidade gerencial e indica que o profissional possui proficiência e qualificação avançadas em finanças, operações, estratégia e gestão. Para a associação, a credencial impulsiona promoções de carreira. 

Para profissionais financeiros e contábeis não estadunidenses e estabelecidos na América, a obtenção da credencial se dá a partir da conclusão do CGMA Finance Leadership Program, programa que cobre 33 competências como demonstrações financeiras, impostos, contabilidade de custos, orçamento e planejamento, análise de dados, preços, liderança e gestão de pessoas, modelos de negócios, gestão de riscos corporativos, formulação de estratégias e estratégia digital.

Após isso, deve-se passar em três exames, que consistem em estudos de caso envolvendo níveis de conhecimento em áreas gerenciais, operacionais e estratégicas, todos abordados no programa.

De acordo com a AICPA, os candidatos devem ter como objetivo concluir cada nível, incluindo o programa e os exames de estudo de caso, dentro de nove a doze meses.

ACCA Qualification – Association of Chartered Certified Accountants

O ACCA Qualification é uma certificação para profissionais financeiros emitida pela Association of Chartered Certified Accountants (ACCA), órgão de contabilidade profissional com mais de 230 mil membros ao redor do mundo.

Segundo a ACCA, os que têm essa qualificação são pensadores estratégicos com alta integridade ética, forte conhecimento financeiro e visão precisa de negócios. Tudo produto de um conjunto de habilidades estratégicas, capacidade técnica e mentalidade profissional para adicionar valor imediato para qualquer organização e alavancar carreiras.

Para brasileiros, basta estar matriculado em uma universidade e pagar a taxa de registro (além de uma taxa anual) para iniciar o programa. A associação não exige diploma nas áreas de finanças ou contabilidade para a certificação, entretanto, é possível dispensar alguns exames se houver qualificação reconhecida pelo órgão. 

Para obter a certificação, é necessário ser aprovado em três etapas de exames, que abordam três grandes blocos de conhecimento:

  • Conhecimentos aplicados: Negócios e Tecnologia, Contabilidade Gerencial, e Contabilidade Financeira.
  • Habilidades aplicadas: Direito Societário e Empresarial, Gestão de Desempenho, Tributação, Relatórios financeiros, Auditoria e Garantia, e Gestão Financeira.
  • Estratégia profissional: Líder de Negócios Estratégicos, e Relatórios Estratégicos de Negócios.

Além disso, deve completar dois módulos adicionais: Ética e Competências Profissionais. Por fim, é exigido 36 meses de experiência profissional comprovada nas áreas de finanças ou contabilidade, que podem ser concluídas durante o programa, que leva, em média, três a quatro anos.

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Mercado da educação e área financeira: tendências e desafios

O mercado da educação vem se transformando ano após ano em busca de novas alternativas que melhorem a experiência do estudante, otimizem custos operacionais e rentabilizem seus modelos de negócio. Nesse processo, a área financeira é decisiva na sustentabilidade dessas instituições.

Conforme Censo da Educação Superior, promovido pelo, Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), em 2020, o Brasil ocupava a posição de 5º maior mercado de ensino superior do mundo e o maior da América Latina, com aproximadamente 8 milhões de matrículas, sendo que 87,6% das instituições de educação superior são privadas.

Segundo dados do Censo Escolar de Educação Básica de 2020, também promovido pelo Inep, o Brasil possui 47,3 milhões de alunos da educação básica, sendo que 80%, ou 38,7 milhões de estudantes, estão matriculados na rede pública de ensino. 

Continue a leitura e entenda os principais desafios da área financeira no mercado de educação e descubra como a tecnologia fez a diferença na realidade de um importante grupo educacional.

Uma fotografia do mercado de educação

Segundo a pesquisa Números da Educação Privada, divulgada recentemente pela Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep) o crescimento do PIB do Ensino Privado entre 2010 e 2015 foi maior do que o crescimento da economia como um todo nesse período. Isso fez com que a participação do Ensino Privado no PIB brasileiro crescesse de 1,42% em 2010 para 1,65% em 2019, totalizando R$ 126,5 bilhões.  

Deste montante, o ensino privado contribuiu com quase R$ 20 bilhões para a Previdência Social e para o FGTS. Além disso, cerca de 3,4% de todos os empregos formais no setor privado brasileiro estão na área educacional e este número segue crescendo. 

O portal de finanças TradeMap, em seu Relatório de 2021 sobre o Setor Educacional, destaca alguns propulsores para esse crescimento:

  • Retomada da economia, puxando o aumento da base de alunos;
  • Alta demanda latente por qualificação acadêmica;
  • Grande relação entre nível de escolaridade e renda;
  • Incentivos governamentais à formação superior;
  • Aumento contínuo de investimentos privados;
  • Demanda por novos cursos e tecnologias.

EAD e Edtechs impulsionam o mercado de educação

Tecnologia e educação nunca se conectaram tanto como atualmente: o ensino a distância (EAD) tem sido um importante acelerador do crescimento deste mercado, pois já superou, pela primeira vez, o ensino presencial por número de ingressantes em 2020.

A EY afirma que dos mais de 3,7 milhões de ingressantes em 2020 (em instituições públicas e privadas), acima de 2 milhões de alunos (53,4%) optaram por cursos a distância e 1,7 milhão (46,6%) escolheram os presenciais.

Fora do Brasil, este cenário também é favorável à economia. É o que aponta a matéria publicada na americana Forbes. Segundo a publicação, o segmento de EAD nos EUA deverá movimentar em torno de US$ 325 bilhões em investimentos até 2025.

Quanto às Edtechs, startups que unem tecnologia à educação, os números crescem a cada dia. De acordo com a Associação Brasileira de Startups (Abstartups), as edtechs representam hoje o maior segmento entre as startups brasileiras. Os dados mais recentes da entidade, reunidos no Mapeamento de Comunidades 2020, contabilizam 566, sendo que a maior parte delas (58,7%) está localizada na Região Sudeste.

Tendências globais até 2030

Relatório da consultoria EY aponta sete tendências em educação superior baseadas na transformação digital que podem ser adotadas globalmente até 2030, sendo estas:

Plataformas digitais reduzindo o custo de aprendizado, até cair para zero;
– Jornadas de estudo ainda mais flexíveis e customizáveis;
– Provedores e gestores de educação mais cobrados por resultados;
– Universidades mais transparentes com relação às suas entregas;
– Tecnologia como aliada na promoção da equidade educacional;
– Soluções educacionais cada vez mais personalizadas;
– Linhas de pesquisas com maior incentivo financeiro.

“É hora de começar a nos indagar e olhar para as oportunidades que a pandemia trouxe. É hora de repensar como, onde e para quem a educação superior é entregue”, afirma Catherine Friday, líder global de educação da EY  

Principais desafios da área financeira no mercado de educação

Mesmo que esteja atravessando um cenário de transformação digital, o setor da educação precisa evoluir em diversos aspectos na área financeira. Confira os principais desafios:

– Cultura organizacional não voltada à inovação;
– CFO e departamento de FP&A ainda pouco atuantes;
– Excessivo consumo de tempo com processos manuais;
– Ausência ou baixo índice de digitalização nos processos;
– Falta de integração e automatização das informações financeiras;
– Lentidão na consolidação das empresas controladas;
– Ausência de práticas de governança financeira e compliance;
– Baixos índices de segurança e privacidade de dados;
– Ausência de ações e ferramentas de modelagem financeira.

Tecnologia como aliada da área financeira

Fundado em 2003, em Recife, o Grupo Ser Educacional é um dos maiores grupos de ensino superior do Brasil, com uma base de mais de 300 mil alunos e mais de 2.400 cursos. 

Hoje, além do grande número de unidades, a estrutura do grupo conta com mais de 300 polos de ensino à distância, levando a marca para 26 estados e Distrito Federal, contando com mais de 12 mil colaboradores e outras empresas de apoio, o que torna imprescindível à empresa manter a qualidade do ensino e as contas em dia.

Cenário antes do uso da tecnologia na área financeira

Antes do emprego das soluções tecnológicas, o Grupo Ser Educacional enfrentava dificuldades na consolidação das informações das suas mais de 70 empresas, já que a integração de dados era feita manualmente, em planilhas e em conjunto com um ERP, o que consumia muito tempo e esforço da equipe financeira. 

Após a consolidação ainda havia outro desafio: a ferramenta utilizada para o acompanhamento de resultados não estava atendendo às necessidades de expansão do Grupo. Sem a visualização adequada das informações financeiras de toda a estrutura, o planejamento financeiro ficava desfalcado.

“Antes era necessário subir todas as informações no sistema para visualizá-las. Hoje nós lançamos informações brutas e a ferramenta faz isso tudo pra nós de forma dinâmica. O ganho foi imensurável”, diz Diego Ricelle, analista de planejamento financeiro sênior do grupo.

Toda esta governança foi obtida devido à inteligência contábil de uma plataforma de CPM  capaz de integrar diversas soluções em uma, além da implantação e suporte especializado por profissionais de finanças.

Tecnologia para ampliar a competitividade

João Furtunato, gerente de planejamento financeiro do Grupo Ser Educacional, afirma que o principal desafio de trabalhar no mercado de educação é a competição por preços.

“Alinhar investimentos em marketing no orçamento e estimar seu ROI é uma das principais etapas do planejamento. Tudo isso enquanto há a preocupação de não desfalcar o caixa, o pagamento dos educadores e os serviços prestados à instituição.”

Ele diz que, com a tecnologia, é possível usar a modelagem para simular índices que auxiliam o gestor a avaliar quanto desconto deve oferecer a um estudante para conseguir uma matrícula, quanto investir em marketing ou quantos ajustes serão necessários nas estruturas, por exemplo.

Furtunato, que possui formação na área financeira e também na de tecnologia, diz que a junção dos dois mundos foi essencial para a evolução na forma de trabalhar e visualizar os dados. Para ele, isso faz diferença principalmente na hora de apresentar os resultados para investidores e nas aquisições.

George Arruda, especialista em planejamento orçamentário do grupo, acredita que a digitalização dos processos e o uso da ferramenta tem um peso e importância significativos para o momento de expansão e crescimento do grupo. Para ele, o investimento já está representando economia de tempo, rapidez em análise, amplitude, visão e disseminação da informação.

Tecnologia para uma gestão de ponta a ponta

Segundo Furtunato, o investimento em tecnologia também facilitou a integração contábil, algo que antes demandava servidores internos, gerenciamento de acessos e outros apontamentos. 

Com uma plataforma de CPM permite a redução da disparidade entre os dados provindos da pós-aquisição, sendo que um dos principais pontos de otimização de tempo foi nas publicações das atualizações financeiras, antes feitas em ferramentas de texto. Atualmente, as tabelas e as informações da consolidação já são estruturadas automaticamente, bastando apenas a revisão, afirma.

O Grupo Ser Educacional já utiliza todos estes benefícios tecnológicos de forma colaborativa, permitindo que as empresas espalhadas por todo o país tenham acesso às informações. Ao mesmo tempo, para garantir a segurança e a privacidade desses dados, a plataforma permitiu que os administradores estabelecessem limites na visualização e alteração.

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O papel do CFO na implementação de novas tecnologias

O papel do CFO na implementação tecnológica das empresas é uma constante: 81% deles reconhecem o potencial da automatização na área financeira para otimizar processos e como recurso para capturar insights de dados. É o que mostra o Estudo do CFO 2022: O Futuro da Automatização e Inteligência nas finanças das empresas, elaborado pela Vic.ai, ferramenta de inteligência artificial para sistemas de pagamento de contas, em parceria com a StrategicCFO360, comunidade de insights para líderes.

O levantamento, feito com mais de 145 tomadores de decisão de empresas estadunidenses de diversos setores, mostrou que, além disso, eles procuram a automatização para outros objetivos:

  • 52% querem reduzir erros;
  • 89% tem como objetivo mais eficiência e produtividade;
  • 47% esperam otimizar suas atividades de forecasting e predição financeira.

Mais quais são os principais desafios nesse processo de implementação? André Verçosa, CFO da oáz e Lucas Nabeiro, CFO da Vivae, participaram da palestra “O papel do CFO na implementação de novas tecnologias” durante o CFO Summit, realizado em setembro e patrocinado pela Accountfy, para discutir e compartilhar suas próprias experiências.

O papel do CFO: pontos importantes para uma área financeira mais tecnológica 

Ao ser questionado sobre como se daria, na prática, o papel do CFO diante da implementação de novas tecnologias dentro da empresa, André Verçosa afirma que primeiro é preciso garantir que a ferramenta esteja 100% alinhada ao planejamento estratégico da empresa. “Senão, daqui a 3 ou 5 anos, você verá que o investimento feito não conversava com suas expectativas”, diz.

Já Lucas diz que, olhando para a tecnologia, o papel do CFO tem duas vertentes. “A primeira mostra que hoje, cada vez mais, as empresas querem ser digitais e ágeis, pois todo mundo fala em transformação digital. Mas para você ser ágil, a tomada de decisão precisa ser descentralizada e disponível a qualquer pessoa que tenha acesso à informação.”

O uso da tecnologia é essencial para esse processo acontecer, principalmente para a área financeira, que precisa de informação em tempo real. O papel do CFO é ser um incentivador de novas tecnologias para a companhia, a fim de proporcionar produtividade, velocidade e qualidade na tomada de decisão. 

Retorno sobre o investimento

Sobre os diferenciais obtidos com o emprego da tecnologia, Verçosa afirma que, antes de tudo, é preciso garantir que o investimento irá agregar valor à empresa, seja por meio de produtividade, redução de custos, incremento de vendas, confiabilidade, redução de riscos à área de compliance. 

Atualização do CFO

Outro importante tema abordado na palestra foi como os CFOs se atualizam com relação à tecnologia. Os convidados falaram sobre a importância de acompanhar blogs e publicações sobre o tema, fazer cursos, além de seguir perfis de pessoas da área. Em complemento, afirma-se que o diretor financeiro precisa ser curioso, perguntar e, eventualmente, buscar as respostas. 

E o time financeiro, acompanha esta atualização?

O debate trouxe à tona também a figura do colaborador. Sobre esse ponto, ao ser questionado sobre como anda a atualização da equipe financeira, Verçosa afirma que hoje o nível de expertise já é outro, com profissionais mais preparados e atualizados com as ferramentas digitais.

“Hoje, o profissional já entra sabendo fazer minimamente uma macro em planilha, e isso agiliza bastante a extração de relatórios.” Neste ponto, o executivo ainda diz que é importante o CFO buscar pessoas curiosas para integrar à equipe.

Investimentos tecnológicos na área financeira

Ambos os palestrantes foram perguntados sobre como suas empresas estão se comportando diante da necessidade de investimentos na área.

Lucas respondeu que a Vivae, por ser uma empresa que está começando agora, ainda não centraliza nenhum investimento específico, mas que já nasce de uma grande parceria entre a Vivo e a Ânima. Contudo, diz que a integração de ferramentas é importante, pois facilita a análise dos KPIs e demonstrativos, obtendo uma informação clara, disponível e segura.  

André afirma que, mesmo durante a pandemia, a oáz optou por fazer uma mudança de ERP que se integrasse à realidade do ponto de venda (PDV) justamente pela necessidade de crescimento e pelos planos de internacionalização da empresa.

CFO como incentivador da segurança digital 

Neste ponto da conversa, abordou-se a importância do CFO como um apoiador da melhoria da segurança da empresa. Ambos os painelistas afirmaram que a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) veio para trazer mais um incentivo à segurança. E o papel do CFO é decisivo também neste ponto, gerando prevenção e adequação às regras de compliance.

Relação entre o CFO como as demais áreas estratégicas

Próximo ao encerramento da palestra, a relação do CFO com os demais diretores e gerentes de outras áreas, ganhou destaque.

André Verçosa, CFO da oáz, afirma que a melhor maneira para gerar aproximação e fortalecer esta relação é conversando e mostrando a importância de apoiar a tomada de decisões das demais áreas do negócio, oferecendo informação e subsídios estratégicos.

Lucas Nabeiro, CFO da Vivae, diz que a tecnologia tem papel fundamental na disponibilidade de dados, suportando as tomadas de decisão de forma descentralizada e gerando empoderamento por meio da informação.

O perfil do CFO moderno é consultivo

Ao final, ambos os convidados deram sua opinião sobre a figura do CFO e o seu perfil atual. Nabeiro afirma que o CFO é formado por uma combinação de soft e hard skills. E que o seu papel será, cada vez mais, de dar suporte às decisões de forma consultiva dentro da empresa.   Já, Verçosa diz que ficará ainda mais latente a necessidade do CFO como gestor qualificado, humanizando a relação deste executivo com o restante da empresa.

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Automatização na área financeira mostra resultados, mas implantação ainda é um desafio

81% dos CFOs reconhecem o potencial da automatização na área financeira para otimizar processos e como recurso para capturar insights de dados. É o que mostra o Estudo do CFO 2022: O Futuro da Automatização e Inteligência nas finanças das empresas, elaborado pela Vic.ai, ferramenta de inteligência artificial para sistemas de pagamento de contas, em parceria com a StrategicCFO360, comunidade de insights para líderes.

O levantamento, feito com mais de 145 tomadores de decisão de empresas estadunidenses de diversos setores, mostrou que, além disso, eles procuram a automatização para outros objetivos:

  • 52% querem reduzir erros;
  • 89% tem como objetivo otimizar a eficiência e produtividade;
  • 47% esperam otimizar suas atividades de forecasting e predição financeira.

Apesar de apenas 5% dos entrevistados estarem com a estrutura de análise de dados totalmente automatizada, o cenário é de investimento contínuo, com 58% planejando aumentar seus orçamentos voltados à área financeira nos próximos 12 meses, e 34% em dois anos.

Segundo o estudo, o maior impulsionador da onda de digitalização é a alta volatilidade da economia global, que tem acelerado a necessidade da área financeira a se adaptar e se tornar mais ágil frente às mudanças, e tem pressionado líderes a encontrarem oportunidades rapidamente para se sobressair.

“Não há dúvida de que a automatização já tem mostrado seu valor em termos de ganho de produtividade e auxílio nas análises e planejamento. Através de tecnologias capazes de acelerar os processos da área financeira e trazer insights cada vez mais completos, profissionais têm focado em atividades estratégicas e líderes têm praticado uma gestão data-driven mais eficiente, com decisões embasadas em números concretos”, afirma Alex Szaniecki, gerente de onboarding da Accountfy. “É notável que, com esses artifícios, CFOs têm adotado uma postura mais proativa do que reativa, premeditando cenários de risco e identificando oportunidades de crescimento. Além de captar mais dados, eles estão sabendo o que fazer com eles”.  

A crescente adoção das novas tecnologias vem acompanhada de obstáculos. 61% dos CFOs afirmam que o desafio mais comum ao automatizar as funções financeiras é a integração com seus sistemas atuais. Para 58% dos CIOs, eliminar a silagem de informação entre departamentos está no topo das dificuldades. 

Além disso, a busca por profissionais qualificados e a alocação de orçamento e recursos foram apontados como outros empecilhos relevantes.

“Apesar da automatização na área financeira demonstrar resultados visíveis e levantar o interesse de muitos líderes, o primeiro passo para torná-la realidade acaba sendo desanimador. A integração de novas tecnologias exige uma movimentação na qual nem todos os sistemas são compatíveis, e quando falamos de números, não há espaço para erros”.

“Nessa hora, entendemos a importância de uma implantação facilitada, com uma equipe preparada para atender, e também de um produto dinâmico, que interaja com as principais ferramentas usadas na área financeira. Essa atenção que damos às empresas que querem ‘arrumar sua casa sem a bagunçar ainda mais’, faz toda a diferença quando estão buscando rapidez e qualidade na digitalização”. – Alex Szaniecki, gerente de onboarding, da Accountfy.

Pontos de atenção ao planejar a automatização na área financeira

Segundo a pesquisa, além da compatibilidade entre sistemas, o sucesso ou fracasso da implementação depende de alguns fatores-chave, que devem ser considerados desde o início do projeto:

  • Alinhar a estratégia de automatização da organização com suas prioridades de negócios;
  • Identificar quais processos já são automatizados, mas ainda ineficientes;
  • Avaliar soluções de automatização por sua funcionalidade, escalabilidade e interoperabilidade;
  • Avaliar a experiência do usuário (UX) da solução para garantir a utilização ideal pelos funcionários.

Além disso, deve-se analisar o impacto da automatização das rotinas financeiras e entender como ferramentas CPM e ERP podem ajudar neste processo.

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A importância das certificações financeiras

Entendemos a importância das certificações financeiras quando falamos sobre qualificação. Elas são capazes de fortalecer a imagem e a confiança das empresas e profissionais que querem se destacar.

Segundo o Guia Salarial 2022 – Finanças e Contabilidade, elaborado pela Robert Half, consultoria de soluções em talentos, entre 100 CFOs brasileiros pesquisados, 43% sentem dificuldades para encontrar candidatos com as habilidades necessárias para as funções, reforçando ainda mais a importância das certificações na área financeira.

De acordo com o levantamento, a escassez se deve ao avanço tecnológico, no qual empresas estão lutando para encontrar mão-de-obra especializada, e, com uma alta demanda e menor oferta, a competitividade se torna ainda maior. 

As certificações para as áreas financeiras das empresas também têm importância. Para 31% dos entrevistados da mesma pesquisa, a retomada econômica vem acompanhada de uma preocupação com as abordagens agressivas da concorrência. Para se diferenciarem nesse cenário, elas podem usá-las para alavancar sua autoridade no mercado.

Continue a leitura e saiba mais sobre as certificações na área financeira e por que elas são  necessárias em um cenário de busca por profissionais e departamentos  cada vez mais qualificados.

Quais são as vantagens de profissionais obterem certificações financeiras?

Salários melhores

Através das certificações na área financeira, um dos primeiros reflexos positivos está nos salários. As habilidades e os treinamento adicionais que profissionais qualificados recebem podem torná-los elegíveis para empregos melhor remunerados.

Como exemplo, a Pesquisa Global de Salários de 2021, elaborada pelo Institute of Management Accountants (IMA), revela que os profissionais que possuem o CMA recebem, em média, salários 58% maiores do que os que não a possuem.

Novas oportunidades

Certas certificações na área financeira são vistas como referência, e tê-las no currículo pode aumentar as chances de alocação e promoção no mercado. 

Segundo o material Os 8 Principais Certificados Financeiros: Benefícios e Definições, do Indeed, site de busca de vagas com mais de 250 milhões de usuários, obter certificações na área financeira pode impulsionar a carreira, trazendo melhores oportunidades de emprego. Isso inclui a possibilidade de atuar em cargos sêniores, que normalmente possuem requisitos de elegibilidade.

Maior credibilidade

Muitas das certificações na área financeira exigem aprovação em exames e até mesmo anos de experiência e aprendizados. Por causa da  rigorosa preparação educacional exigida do profissional, as empresas reconhecem a capacidade do candidato de exercer a função, lhe concedendo maior vantagem competitiva.

Segundo a Association of International Certified Professional Accountants (AICPA), uma das maiores associações contábeis do mundo, com mais de 689 mil membros, profissionais que possuem credenciais como a Chartered Global Management Accountant são reconhecidos mundialmente pela sua ética e compromisso nos negócios.

Aprimoramento de habilidades

Ao se qualificar, profissionais têm contato com as últimas tendências envolvendo sua função, assim como passam por oportunidades de otimizar suas habilidades, ao mesmo tempo que desenvolvem novas. 

De acordo com a Association of Chartered Certified Accountants (ACCA), órgão de contabilidade profissional com mais de 230 mil membros ao redor do mundo, profissionais que possuem o ACCA Qualification, por exemplo, aprimoram suas habilidades analíticas, adquirem extenso conhecimento financeiro e visão estratégica de negócios.

Quais são as vantagens de as áreas financeiras obterem certificações?

Em busca de reconhecimento e diferencial no mercado, as áreas financeiras também podem obter certificações. 

Uma das maneiras de fazê-lo, é através das certificações (International Standards Organization (ISO), ou Organização Internacional para Padronização, no português. Ela reúne normas reconhecidas mundialmente e tem como objetivo promover a conformidade aos processos corporativos.

Apesar das ISOs não serem destinadas exclusivamente às áreas financeiras, e sim à empresa como um todo, o departamento pode se beneficiar de suas vantagens ao tê-la implantada.

Segundo a organização, através das ISOs, é possível trazer mais confiança para stakeholders e clientes, e otimização de custos. Aspectos, esses, que influenciam na saúde financeira da organização.

A ISO 9001, por exemplo, estabelece critérios de qualidade para processos internos. Entre seus princípios estão foco no cliente, liderança, visão, engajamento de colaboradores, melhoria contínua, e gestão de relacionamento com stakeholders.

Sua função é certificar que a empresa possui visão ampla do seu fluxo de trabalho. Assim, aumentando sua produtividade, trazendo dados mais concretos para a tomada de decisão, garantindo a boa utilização dos recursos financeiros e melhores condições em futuras negociações.

Recentemente, foi publicada a ISO 37000, que regulamenta padrões de linguagem, princípios e práticas para o exercício da governança corporativa, imprescindíveis para a gestão financeira. Segundo o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), o escopo dessa certificação abrange a responsabilidade social (ESG), gestão de riscos, transparência na prestação de contas, viabilidade e desempenho da organização a longo prazo, e uso estratégico e responsável dos dados.

Para implantá-las, é necessária a auditoria de órgãos parceiros da ISO, que podem ser encontrados no site da International Accreditation Forum (IAF), associação mundial de organismos certificadores. Nela, são mapeados processos, a verificação de documentos, elaboração de relatórios, e por fim, o gerenciamento de registros.

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O impacto da automatização de processos na gestão financeira: por que investir?

Tarefas como o controle de despesas, reembolsos corporativos, checagem de comprovantes e emissão de notas de débito são repetitivas e tomam tempo da equipe, que, por sua vez, deixa de realizar ações estratégicas, principalmente quando não há automatização de processos na gestão financeira.

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Startups da América Latina receberam mais de US$ 28 bi nos últimos anos

O Panorama Latam, estudo da investidora Movile, em parceria com o Distrito, plataforma de inovação para startups, analisou o cenário de investimento na América Latina entre 2017 e 2021, com foco na Argentina, Brasil, Colômbia e México. 

Desde 2017, os investimentos na região tiveram crescimentos de mais de 120%, ano a ano. Entretanto, desde o início da pandemia de covid-19, a quantidade de capital e empresas investidas reduziu em 4% em 2020. 

Apesar disso, os resultados revelam um mercado resiliente. Com a recuperação econômica, o volume investido cresceu em 184%. Segundo o levantamento, US$ 28.663 bilhões foram aportados em startups da América Latina nos últimos cinco anos, sendo 51% desse valor apenas em 2021. 

O relatório analisou mais de 5 mil startups e empresas em fase de desenvolvimento e reuniu os principais insights sobre as evoluções das rodadas de investimento de risco e potenciais regionais. Entre os destaques estão: 

  • O Brasil concentra maior parte dos investimentos, com mais de 60%;
  • Argentina foi o primeiro país dentre os quatro a ter um unicórnio: o Mercado Livre, em 2017
  • A Colômbia conta com o maior investimento realizado em uma startup: US$  1 bilhão na Rappi.
  • Mais de um terço dos aportes realizados no México são no setor de Mobilidade.

De acordo com os resultados, a alta liquidez em investimento em venture capital e IPO e a tendência crescente de aportes são reflexos de um ecossistema mais maduro, no qual startups conseguem valuations maiores a cada rodada.

Com mais de US$ 17 bilhões, o Brasil lidera o ranking de investimentos recebidos. Segundo a análise da Movile, os mais de 200 milhões de habitantes incentivam que cada vez mais startups da América Latina operem no país, buscando atingir um mercado de consumidores maior. O México segue em segundo lugar (20%), Colômbia em terceiro (11%), e Argentina em quarto (8%).

O setor de fintechs, startups que mesclam tecnologia à soluções financeiras, está em primeiro lugar em termos de investimentos, com mais de 38,5%. De acordo com o relatório, ele é um dos mais aquecidos globalmente, resultado de uma necessidade dos consumidores por serviços mais acessíveis e desburocratizados.

A lista segue com as retailtechs (11,6%), com foco em inovação no varejo, e foodtechs (11,1%), que unem tecnologia ao setor de alimentação. .

A Accountfy e a expectativa na América Latina

Em 2021, a Accountfy, plataforma SaaS que facilita as atividades de Controladoria e FP&A na gestão financeira, recebeu o aporte de US$ 4,5 milhões da Redpoint eventures e HDI Seguros, para iniciar sua expansão nos Estados Unidos. O valor complementou um investimento série A no valor de US$ 6,5 milhões, totalizando US$ 11 milhões. Desde a primeira parte da rodada, a fintech quase triplicou em crescimento.

Com a quantia, a empresa iniciou a operação norte-americana, incluindo um time dedicado, investimento em divulgação e a abertura da filial no estado da Flórida. Agora, a Accountfy planeja aumentar sua presença na América Latina que atualmente conta com Chile, Colômbia, México e Peru, representando 7,5% da sua receita. O objetivo é que essa participação chegue a 40% até 2024.  

Segundo Goldwasser Neto, CEO e cofundador da Accountfy, as perspectivas da América Latina em relação às fintechs revelam um terreno com grande potencial.

“A contabilidade é uma linguagem universal. Embora existam diferenças de padrões de contabilização, a lógica contábil é igual em todo o mundo. Isso faz com que, na prática, não exista restrição geográfica para utilização da Accountfy, tornando o mercado endereçável da plataforma muito significativo”, afirma.

Para alcançar esse número, mais de R$ 7 milhões foram alocados na área de tecnologia só em 2021. Para os próximos anos, a empresa prevê R$ 30 milhões em investimentos, buscando acelerar o desenvolvimento da plataforma, com novas funcionalidades e maior segurança. 

“Ainda temos muito para desenvolver e consolidar a Accountfy como uma plataforma de soluções para os CFOs e profissionais da área de finanças. Por isso, decidimos ampliar os aportes”, explica Goldwasser Neto.

Conheça o AccountCast: o podcast de inovação e insights para profissionais de finanças: contadores, controllers, tesoureiros, analistas de FP&A, conselheiros, CEOs e CFOs. Tudo sobre Governança Financeira de um jeito descomplicado!

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Certificação CMA: tudo o que você precisa saber

O Certified Management Accountant, ou Contador Gerencial Certificado, no português, é um título concedido aos profissionais financeiros e contábeis que concluem o programa CMA do Institute of Management Accountants (IMA), uma das maiores e mais respeitadas associações focadas exclusivamente no avanço da profissão de contabilidade gerencial.

Os profissionais que obtêm esse certificado são conhecidos como CMAs e possuem expertise e preparação para uma variedade de funções, principalmente as de controller financeiro e CFO.

De acordo com o IMA, o programa de certificação CMA, que completou 50 anos em 2022, é considerado referência global para contadores gerenciais e profissionais financeiros. 

O programa tem uma duração entre 12 a 18 meses e se baseia na qualificação e proficiência em contabilidade e análise financeira, adicionando habilidades de gestão que auxiliam na tomada de decisões estratégicas. Os módulos incluem: 

  • Planejamento e Análise
  • Tecnologia e Análise
  • Gestão de Desempenho
  • Gestão de Riscos e Controles Internos

Kim. R. Wallin, ex-controller do governo do estado de Nevada, nos Estados Unidos, afirma que o programa oferece capacitação em análises, otimização de processos, tomadas de decisão,  planejamento e controladoria, “todos eles críticos para o seu trabalho”. 

Continue a leitura e entenda mais sobre as vantagens de se obter uma certificação CMA, e detalhes sobre o exame, custos e requisitos.

Por que obter a certificação CMA?

Obter a certificação CMA inclui benefícios, desde alavancagem profissional a maiores salários, já que traz credibilidade e pode garantir um lugar em meio a liderança corporativa. 

Segundo a Pesquisa Global de Salários de 2021, feita pelo IMA com mais de 3 mil membros do instituto ao redor do mundo, a remuneração média total dos profissionais CMA é 58% maior do que os que não possuem a certificação.

Os entrevistados também acreditam nos seguintes benefícios dessa certificação:

Segundo a Gleim, fornecedora de cursos preparatórios para o exame de CMA, as Big Four, as quatro grandes empresas de contabilidade e gestão financeira (Deloitte, EY, PwC e KPMG), solicitam especificamente o certificado para determinados cargos de nível hierárquico superior.

Como se tratam de consultorias, elas recorrem às suas próprias equipes de CMAs para aconselhar grandes empresas sobre reestruturações e oportunidades potenciais de economia, pois consideram que esses profissionais são capacitados para entender clientes através de uma perspectiva mais detalhada.

De acordo com a Gleim, a certificação CMA está em alta em empresas listadas na Fortune 500 e naquelas com fábricas que exigem gerenciamento de custos e estoque. Os CMAs podem ser úteis em diversas companhias, principalmente as de grande porte, mais propensas a necessitar de um profissional especializado em contabilidade gerencial e custos.

Além dos benefícios salariais e oportunidades de carreira, a certificação CMA proporciona uma extensa preparação em habilidades cruciais para quem deseja se tornar um gestor contábil ou financeiro do alto escalão, além do reconhecimento como autoridade no assunto. 

De acordo com o artigo Benefícios do CMA – Principais motivos para se tornar um CMA, elaborado pela Becker, uma das maiores escolas preparatórias para o exame do IMA e presente em mais de 55 países, as responsabilidades de um CMA geralmente são mais especializadas do que a de um contador geral. 

Ele pode executar tarefas de FP&A, tomada de decisão, gestão de riscos e investimentos, entre outras atividades essenciais do negócio que exijam maior compreensão e capacidades analíticas, não somente em contabilidade, mas também em negócios e finanças.

Além disso, segundo a Becker, o CMA tende a estar mais próximo aos executivos C-level, reforçando sua relevância como conselheiro e peça-chave dentro da organização.

“Decidi ir atrás da minha certificação CMA porque senti que havia alguma lacuna nas habilidades comerciais que eu precisava para continuar minha carreira na indústria”, comenta Ben Mulling, ex-CFO e atual CEO da Tente North America, fábrica de peças e maquinários industriais, em entrevista para a Investopedia, portal referência em conteúdos financeiros.

Por onde começar 

Exame

O IMA afirma que, para ingressar no programa de certificação CMA, o candidato deve ser aprovado em um exame que consiste em duas partes. Elas podem ser realizadas em conjunto ou em dias separados, com intervalo máximo de dois meses, mediante agendamento de data, hora e local. 

O exame é digital e pode ser realizado presencial ou remotamente usando o serviço ProProctor, ambos administrados pela Prometric, fornecedora de soluções de testes e avaliações para instituições acadêmicas e agências governamentais. 

Deve-se conferir se há disponibilidade para realizar o exame pessoalmente no Brasil através do site da Prometric. O modelo remoto é disponibilizado globalmente e pode ser feito em casa através de um computador ou notebook.

As provas são aplicadas em janeiro, fevereiro, maio, junho, setembro e outubro, e ambas as partes devem ser realizadas entre esses períodos. 

Elas têm duração máxima de 4 horas e são compostas por 100 questões de múltipla escolha envolvendo 12 competências:

Parte 1: Planejamento Financeiro, Desempenho e Análise

  • Decisões de Relatórios Financeiros Externos (15%);
  • Planejamento, Orçamento e Previsão (20%);
  • Gestão de Desempenho (20%);
  • Gestão de Custos (15%);
  • Controles Internos (15%);
  • Tecnologia e Análise (15%).

Parte 2: Gestão Financeira Estratégica

  • Análise de Demonstrações Financeiras (20%);
  • Finanças Corporativas (20%);
  • Análise de Decisão (25%);
  • Gerenciamento de Risco (10%);
  • Decisões de Investimento (10%);
  • Ética Profissional (15%).

Além disso, há também duas redações com duração de 30 minutos cada, que só podem ser acessadas após três horas de prova ou após a entrega das respostas das questões de múltipla escolha. Elas consistem em respostas descritivas ou perguntas de cálculo baseadas em dois cenários, descrevendo uma situação típica da área de negócios.

A pontuação de cada uma vai de 0 a 500, e, para ser aprovado, é preciso obter a nota mínima de 360 em ambas. 

Os resultados de cada uma das áreas de competências e redações são enviados aos candidatos por e-mail em até 14 dias após serem postados no perfil do candidato  

Segundo o IMA, a taxa média é de 50% de aprovação e é recomendado de 150 a 170 horas de estudo por parte. Para quem deseja um melhor aproveitamento, existem cursos preparatórios e materiais para o exame. As provas estão disponíveis apenas nos idiomas inglês e mandarim.

Custos

Segundo o IMA, para prestar o exame, a filiação como membro é obrigatória, e suas taxas anuais podem variar entre US$ 45 a US$ 275, dependendo se o membro é estudante ou profissional. 

Para profissionais: a entrada no programa custa US$ 280, além de US$460 por cada parte do exame, além da taxa anual de membro.

Para estudantes: a entrada no programa custa US$ 210, além de US$ 345 por cada parte do exame, além da taxa anual de membro.

A taxa de entrada do CMA inclui:

  • Acesso ao pacote de suporte a partir da data de entrada no programa;
  • Relatórios de feedback de desempenho;
  • Certificado personalizado e numerado após a conclusão de todos os requisitos;
  • Relatório de pontuação final após a conclusão dos exames.

Em ambos os casos, o instituto oferece descontos. Para acadêmicos, é possível obter bolsas de estudo através de universidades parceiras ao redor do mundo, no qual professores podem nomear até 10 alunos para participar. 

As bolsas são destinadas a alunos de alto desempenho e contemplam a taxa de entrada para o programa CMA, um pacote de suporte para exames com perguntas de provas anteriores, taxa de inscrição cobrindo as duas partes do exame e três anos de associação ao IMA (enquanto a certificação estiver em andamento).

Para profissionais brasileiros, o Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo firmou um acordo com o IMA em 2019, que visa facilitar a certificação para profissionais e estudantes da área contábil. A parceria inclui descontos na filiação ao IMA e bolsas de estudo para profissionais e estudantes registrados no CRCSP

Requisitos para concluir a certificação

De acordo com o Manual CMA: Seu Guia de Informações e Requisitos para Certificação CMA, elaborado pelo próprio instituto, qualquer pessoa pode realizar o exame, porém, é necessário que o candidato atenda a certos critérios para obter o certificado ao fim do programa. São eles:

  1. Ter sua filiação ativa no IMA;
  2. Possuir um diploma de bacharel de uma faculdade ou universidade credenciada ou uma certificação profissional relacionada;
  3. Ter dois anos contínuos de experiência profissional em contabilidade gerencial ou gestão financeira, que podem ser concluídos em até sete anos após a aprovação no exame;
  4. E concluir o programa em no máximo três anos.

Agora você sabe todos os detalhes que envolvem a certificação CMA, que continua relevante no mercado financeiro e traz diversos benefícios para os profissionais. Continue acompanhando nossos conteúdos e se mantenha atualizado.

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Como a área financeira pode se beneficiar do cloud computing?

A pesquisa Rastreador de Infraestrutura Corporativa Trimestral Mundial: Comprador e Implantação na Nuvem da International Data Corporation (IDC), consultoria em inteligência de mercado, revela que os gastos com infraestrutura de computação e armazenamento em nuvem aumentaram 6,6%, ano a ano, até 2021, totalizando um mercado de US$ 18,6 bilhões. Até 2025, devem atingir US$ 118 bilhões.

Seguindo essa tendência, o material Futuro da Área Financeira: A Agenda o CFO para Um Amanhã Radicalmente Diferente, feito pela KPMG, mostra que o futuro da área financeira será marcado pela nuvem como ferramenta dominante.

De acordo com a Investopedia, portal referência em conteúdos financeiros, o cloud computing é uma tecnologia que permite a entrega de diferentes serviços através da internet, como servidores, redes e softwares, por exemplo. As informações armazenadas em nuvem são salvas em bancos de dados remotos e podem ser acessadas a qualquer momento por dispositivos conectados à ela, não precisando estar em um local específico.

Com toda a flexibilidade, agilidade e mobilidade que o cloud computing têm proporcionado aos negócios, a área financeira a usa  como uma aliada para otimizar processos e trazer maior dinamismo na gestão de dados

De acordo com o relatório Futuro da Área Financeira: A Agenda do CFO para Um Amanhã Radicalmente Diferente, tecnologias de automatização baseadas em cloud computing fomentarão um novo modelo operacional no qual capacitarão as finanças para entregar mais valor com menos esforço, e responder às necessidades do negócio com maior rapidez. Continue a leitura e entenda mais sobre essa relação.

Cloud computing na área financeira

Em seu estudo Economia da Nuvem: Mantendo a Cabeça na Nuvem – O Papel Vital dos CFOs nas Decisões Estratégicas de Computação em Nuvem, a Deloitte afirma que  à medida que empresas exploram as vantagens do cloud computing, os CFOs têm a oportunidade de conduzir estrategicamente a implantação dessa tecnologia na área financeira e em toda a organização.

Segundo a consultoria, CFOs podem abordar os impactos que modelos de nuvem podem trazer aos processos contábeis e financeiros. Além disso, devem comunicar seus resultados para investidores e stakeholders, pois, analistas de investimento parecem estar mais interessados ​​em como essa tecnologia pode levar a aumentos nos fluxos de receita, assim como seu potencial de redução de custos.

Além disso, a adoção do cloud computing na área financeira permite que concentrem mais tempo e recursos em suas principais atividades, ao mesmo tempo em que oferecem a flexibilidade de aumentar ou diminuir os investimentos em nuvem como resposta às mudanças nas necessidades da organização.

Benefícios do cloud computing na área financeira

Economia de recursos e tempo

A migração para a nuvem permite que as áreas financeiras otimizem os investimentos alocados em tecnologia e evitem gastos desnecessários. Em vez disso, podem canalizar o dinheiro para outros aspectos da gestão do negócio.

O estudo da Accenture revela que o cloud computing pode reduzir significativamente o custo operacional de uma empresa, permitindo que ela aumente ou diminua o uso de recursos. O relatório também afirma que, além de economizar em energia, uma empresa pode reduzir sua emissão de carbono em 30% por cada usuário usando soluções em nuvem.

Segundo a IBM, em comparação com o armazenamento local tradicional, o cloud computing traz: 

Custos de TI mais baixos: o armazenamento em nuvem reduz custos de compra, instalação, configuração e gerenciamento de infraestrutura físicas, além de mão de obra especializada;

Mais rapidez no fornecimento de ferramentas: em vez  de aguardar pela instalação e configuração de softwares e hardwares, o cloud computing permite que aplicativos corporativos sejam implantados em poucos minutos.

Melhor aproveitamento e economia de gastos: ao contrário de infraestruturas físicas, a nuvem conta com a possibilidade de dimensionar a capacidade de armazenamento para mais ou menos, em vez de pagar pelo excesso de espaços que estão sem uso. 

Facilidade de acesso à informação

O armazenamento em nuvem facilita e dinamiza seu acesso, no qual vários dispositivos podem carregar e baixar dados de qualquer lugar e a qualquer momento, permitindo inclusive a colaboração em tempo real por equipes remotas, por exemplo. 

O Guia do CFO para a Nuvem, também elaborado pela Deloitte, reforça como a adoção do cloud computing pode ter um resultado positivo na área financeira em termos de acesso à dados, exemplificando o seguinte caso:

“Uma empresa sofria com problemas na gestão de dados. A área financeira não conseguia acessar ou analisar as informações de sistemas antigos, necessárias para decisões cruciais. Ao perceber que precisavam de uma nova plataforma baseada em nuvem, a equipe de tecnologia implantou o cloud computing. Essa empresa agora está se tornando uma potência orientada por dados, adotando ferramentas avançadas para rentabilizar novas oportunidades”. 

Segundo a Deloitte, em rotinas em que a coleta de informações é essencial e muitas vezes manual, áreas financeiras veem o cloud computing como ferramenta principal no auxílio dessas demandas e já representa redução de tempo na elaboração de relatórios.

Apoio às decisões estratégicas

Segundo a KPMG, para os profissionais da área financeira, o cloud computing, combinado a outras ferramentas, está auxiliando as decisões através de recursos de monitoramento de processos de fechamento, análise de cenários estratégicos e relatórios gerenciais em tempo real.

A consultoria afirma que planejadores financeiros podem se aproveitar de ferramentas baseadas em nuvem, como plataformas de gestão de desempenho corporativo (CPM), para criar uma visão de FP&A que integre as previsões financeiras com as operações, supply chain, vendas, marketing e outros.

Melhorias na forma como os dados são estruturados e coletados e a redução da necessidade de processos repetitivos e intervenções manuais são alguns dos benefícios enfatizados pela KPMG.

Os papéis do CIO e CFOs

Embora tradicionalmente questões tecnológicas sejam conduzidas pelo CIO (Chief Information Officer), o CFO também está atrelado à transformação digital e seu suporte tem desempenhado um papel importante na promoção das mudanças necessárias nos processos.

58% dos CFOs entrevistados pelo estudo TCS 2020 CFO, feito  pela Tata Consultancy Services, consultoria de serviços de TI, reconhecem que a tecnologia está tendo um impacto profundo em seu papel e não são apenas responsáveis ​​pela digitalização da função financeira, mas também desempenham papel fundamental na digitalização de todo o negócio.

Nesse sentido, ambos têm trabalhado em conjunto para implementar soluções em cloud computing na área financeira e em toda a organização de forma inteligente e planejada.

Para a Deloitte, ao considerar a implantação do cloud computing, o CFO  pode envolver-se, juntamente com o CIO, para discutir as necessidades da empresa em relação à tecnologia, e avaliar contratos, taxas, custos, e retornos esperados.

De acordo com o artigo Como o CFO e o CIO colaboram para criar, otimizar e proteger valor, da Ernst & Young, enquanto os CFOs supervisionam os gastos corporativos gerais e justificam financeiramente as iniciativas relacionadas à tecnologia, o CIO avalia as opções de serviços de cloud computing, e decide quais estruturas e processos do negócio serão movidos para a nuvem: tais como os bancos de dados, aplicativos, plataformas e softwares, por exemplo.

Além disso, rumo à implantação do cloud computing na área financeira e na organização como um todo, o Gartner, em seu material Elabore uma estratégia eficaz de computação em nuvem respondendo a cinco perguntas-chave, sugere algumas questões que CFOs e CIOs podem responder:

  • Onde e como a organização deve consumir serviços de cloud computing?
  • Como protegeremos, gerenciaremos e governaremos em ambientes híbridos?
  • Como a computação em nuvem influencia nossa estratégia?

Em suma, além de conduzir a mudança em termos técnicos, o CIO pode trazer mais clareza em relação aos impactos positivos que o cloud computing trará, ajudando nas metas organizacionais. 

Por sua vez, CFOs podem auxiliar na escolha de uma ferramenta alinhada às expectativas do departamento de tecnologia, ao mesmo tempo que gerenciam novos riscos, e conciliam os investimentos às estratégias e objetivos financeiros.

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Presencial, remoto ou híbrido? Pesquisa sugere modelo de trabalho omniconectado

Novas discussões acerca dos modelos de trabalho tomaram conta das redes sociais neste começo de ano. Todas motivadas pelo vazamento do e-mail de Elon Musk, no qual o homem mais rico do mundo afirma que o modelo remoto não é mais aceitável.

Neste cenário, a pesquisa De sempre conectado para omniconectado, publicada recentemente pela Accenture, levanta questionamentos a respeito da qualidade de vida e produtividade de profissionais que trabalham presencialmente ou remotamente. Além disso, apresenta um conceito que espera aproximar colaborador e empresa, independentemente do local de trabalho: o modelo omniconectado.

De acordo com o estudo, apenas uma em cada seis pessoas se sente conectada ao trabalho, em um sentido humano. 42% que não se sentem conectados estão no modelo presencial, 36% no híbrido e 22% no totalmente remoto.

Os dados revelam que, apesar da proximidade física, a falta de flexibilidade e suporte dos gestores aumentaram o senso de desigualdade, contribuindo para distanciar o colaborador da empresa.

Para Samea Nasraui, gerente de recursos humanos da Accountfy, tanto os modelos presenciais quanto remotos possuem seus desafios. Segundo ela, “a adaptação e integração é um processo complexo até mesmo no presencial, mas no remoto, criar memórias e sentimentos é ainda um desafio maior. Em um ambiente com mudanças constantes, colaboradores enxergam a necessidade de se ‘auto motivar, auto gerenciar e auto liderar’. Os que possuem essas soft skills, são os que menos sentem os impactos negativos”.

De acordo com ela, essa versatilidade entre modelos é essencial, mas também é necessário avaliar e conciliar uma separação entre ambientes profissionais e domésticos, para que esses consigam deixar “o trabalho, no trabalho”, e não o levar para casa. 

Além disso, o modelo remoto ajudou a quebrar o estereótipo de que, para ser produtivo, o profissional precisa estar fisicamente no escritório, já que, “o que antes podia ser visto com desconfiança, por parte dos gestores, em relação ao nível de entrega dos colaboradores à distância, hoje é entendido como o contrário e visto como aliado em um momento de incertezas”, afirma Samea.

Pesquisas apontam que as áreas financeiras adotarão o regime misto na América Latina. O material da consultoria McKinsey, Em conversa: o papel do CFO no desenvolvimento de talentos, feita com executivos e membros de comitês de desenvolvimento de talentos, mostra que a flexibilidade do trabalho já está presente na agenda dos CFOs. 

Na entrevista, ao ser perguntado sobre os motivos do êxodo de mais de 19 milhões de trabalhadores nos Estados Unidos, o especialista Rawi Abdelal afirma que “a pandemia nos deu a oportunidade de refletir sobre como passamos nossas vidas em ambientes de trabalho e pensar sobre significado, propósito e dignidade do trabalho que fazemos”.

O que é o modelo omniconectado

A consultoria Accenture define o termo “omniconectado” como uma experiência na qual o colaborador se sente incluído e pertencente ao trabalho, impulsionando carreiras, criando relacionamentos de confiança e fomentando valor entre profissional e negócio, independentemente da localização física. 

O modelo tem ações-chave que visam introduzir uma liderança empática, com senso de transparência e confiança; criar normas culturais que priorizem o propósito e a segurança psicológica do profissional; dimensionar novas formas de trabalhar, com maior flexibilidade; e otimizar o uso da tecnologia na capacitação das pessoas.

Segundo a Accenture, o omniconectado enfatiza o trabalho flexível – impulsionador do modelo híbrido – priorizando o bem-estar e a produtividade. 

O relatório da Accenture afirma que o omniconectado já tem trazido resultados e companhias que implantaram o conceito já observaram aumento de 7.4% na receita anual, uma retenção de talentos 59% maior, e profissionais 35% mais propensos a entregar trabalhos com mais qualidade.

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As vantagens de um bom relacionamento entre o CFO e o CIO

A aliança entre finanças e tecnologia se mostrou ainda mais necessária nos períodos de pandemia e pós-pandemia. Segundo a ABES (Associação Brasileira das Empresas de Software), o total de investimentos globais em TI (software, hardware e serviços) em  2021 superou os 2 trilhões e meio de dólares.

Mas, embora o CIO (Chief Information Officer) esteja posicionado como diretor e especialista em operações de TI, as limitações do caixa podem tornar o processo de investimento em tecnologia mais complexo, tornando-se necessária a presença de mais diretores na mesa de reuniões, como o CFO (Chief Financial Officer).

Entretanto, a recente pesquisa do Gartner mostra que apenas 30% dos relacionamentos CFO-CIO são caracterizados por serem colaborativos e centrados nas necessidades do negócio.

Nesse cenário, estreitar o relacionamento com o CIO é uma das prioridades do CFO para 2022 como propulsor da inovação, enquanto ambos preservam as reservas financeiras. 

O que está colaborando para a aproximação entre CFO e CIO?

Em entrevista para a CXO Talks, o CTO da Deloitte, Bill Briggs, afirma que, no passado, o departamento de TI era considerado de alto custo, e o único envolvimento da área financeira era reduzir gastos sem sacrificar a eficiência e confiabilidade. 

Hoje, essa relação é mais estratégica. Em um cenário de constante evolução tecnológica, os investimentos em inovação têm sido vistos como uma das implantações mais estratégicas de capital na empresa, o que torna vantajoso fortalecer as relações entre CFO e CIO.

Para Briggs, “a forma como pensamos sobre finanças em relação a TI está mudando. Este é um momento em que há oportunidades à nossa frente e ambos os setores estão precisando se reerguer e se reinventar. E trabalhar juntos oferece uma chance muito maior de alcançar os objetivos do negócio”.

A pesquisa Insights de pares do CFO para 2021: Transformação digital e prioridades de gastos em TI, elaborada pela Rimini Street, revela que 71% dos CFOs acreditam que a transformação digital é a chave para o sucesso das suas empresas. O levantamento foi feito com mais de 1.500 executivos da área de finanças em 13 países, incluindo o Brasil.

Portanto, espera-se que os CFOs e CIOs liderem funções de TI e finanças mais ágeis, e para isso o CFO deverá entender onde e como os dados e a tecnologia podem ser aplicados, utilizando novas ferramentas como computação em nuvem, análise avançada de dados e softwares de segurança.

Em contrapartida, o CIO precisará entender o mercado em constante mudança, as expectativas operacionais e as novas ferramentas emergentes e conciliá-las com as limitações financeiras da organização.

Como a relação CFO e CIO pode ser vantajosa

Segundo a Ernst & Young, o forte relacionamento entre CFO e CIO pode ser a chave para criar, otimizar e proteger os valores do negócio. Entre as vantagens dessa relação estão:

  • Insights melhores através da análise avançada de dados: o CIO pode avaliar a substituição e atualização de novas ferramentas que ofereçam análise, reporte e monitoramento, capazes de auxiliar o CFO a tomar decisões mais precisas.
  • Processos mais eficientes com a automatização: tarefas manuais e rotineiras  podem ser otimizadas através de ecossistemas digitais capazes de reduzir o tempo e o esforço gasto. Nesse momento, o CIO torna-se responsável também por determinar qual ferramenta do rol de tecnologias pode simplificar as demandas da área financeira.
  • Redução de riscos cibernéticos e corporativos: CIO e CFO podem trabalhar colaborativamente no gerenciamento de novos riscos que surgem em cenários de constante evolução.  Enquanto o CIO identifica e monitora riscos de segurança tecnológica, o CFO elabora planos de mitigação para manter a empresa financeiramente e intacta.

De acordo a Ernst & Young, os líderes financeiros que desenvolvem um conhecimento prático de TI podem tomar melhores decisões estratégicas e continuar impulsionando – e financiando – a transformação digital de suas empresas.

Enquanto isso, os líderes de TI que contam com uma maior compreensão das prioridades financeiras podem avaliar adequadamente a adesão às suas iniciativas com uma perspectiva maior das estratégias de curto e longo prazo da empresa.

A pesquisa do Gartner, feita com com 183 CFOs e CIOs, revela que relacionamentos fortes entre os dois garantem uma oportunidade 51% maior para liberação de investimentos em tecnologia e 39% mais chances desses valores permanecerem no plano financeiro, além de 18% mais propensão dos resultados pretendidos serem alcançados.

Segundo a consultoria, esses atributos são os principais para definir uma forte parceria digital, no qual as organizações encontram financiamento para iniciativas de inovação, mantendo os gastos digitais dentro do orçamento.

Como aproximar esses dois líderes

O material CFO Insights: Três maneiras de fortalecer a parceria entre CFO e CIO, produzido pela Deloitte, mostra que o objetivo é semelhante para ambos: garantir que as operações sejam executadas com eficiência.

Frente ao desafio de equilibrar perspectivas diferentes, a consultoria sugere questionar se as ações principais do CFO e CIO estão caminhando lado a lado. Alguns exemplos são:

  • Quais investimentos a área de TI e financeira estão fazendo ou identificando como críticos para o futuro? 
  • Como a tecnologia está apoiando a estratégia de crescimento da organização?
  • A área financeira está fornecendo apoio às iniciativas de digitalização e propostas da área de TI nas reuniões com outros diretores e parceiros?
  • A área de TI está fornecendo dados oportunos e precisos que suportam a entrega de resultados previsíveis e insights sobre receitas, custos, participação de mercado, lucros e ganhos?
  • Como a área de TI está gerenciando os riscos de segurança e protegendo os ativos financeiros?
  • A área financeira incentiva uma governança adequada para investimentos em tecnologia?

Respondidas essas perguntas, existem formas pelas quais CIOs e CFOs podem fazer parcerias para o sucesso. Para isso, é necessário:

1) alcançar o entendimento mútuo entre ambos;

2) estabelecer comunicações eficazes; e

3) identificar oportunidades para colaborar na entrega de valor ao negócio, forjando pontos em comum entre as duas funções.

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Gestão de pessoas na área financeira: o que os líderes precisam saber?

A gestão de pessoas na área financeira demanda um olhar atento no contexto atual de popularização do home office e tecnologias digitais.

O último levantamento sobre avanços no setor de RH da consultoria PwC confirma: 79% das empresas entrevistadas afirmaram que vão manter ou implementar o trabalho remoto e 23% delas vão ampliar a infraestrutura para quem está trabalhando de casa.

Portanto, líderes precisam ser criteriosos ao gerenciar os profissionais da área financeira, sobretudo, porque esses colaboradores acessam informações confidenciais das empresas e, agora, podem trabalhar fora dos limites físicos organizacionais.

Liderança e gestão financeira: como reter talentos?

Larry Fink, o Chief Executive Officer (CEO) da Black Rock, a maior empresa em gestão de ativos financeiros no mundo, todos os anos, publica uma carta norteadora dos princípios que criam valor aos seus principais acionistas.

Na edição de 2022, Fink destina uma seção especial ao “novo mundo do trabalho”, enfatizando as mudanças após a Covid-19 que intensificaram uma relação de confiança entre empregadores e funcionários.

“As empresas esperavam que os trabalhadores estivessem no escritório cinco dias por semana. A saúde mental raramente era discutida nos locais de trabalho. E os salários para aqueles com rendimentos baixos e médios mal aumentavam. Esse mundo acabou”, afirma o CEO da Black Rock.

Fink ainda reflete sobre a importância de inspirar os trabalhadores, impulsionando o conceito de prosperidade para todos, desde operadores a acionistas. “A rotatividade aumenta as despesas, reduz a produtividade e prejudica a cultura e a memória corporativa.”

A retenção e a gestão de talentos passa por uma análise complexa dos recursos humanos e como as pessoas e empresas podem se alinhar a ela no curto, médio e longo prazos.

Em abril de 2022, a consultoria McKinsey publicou o material “Em conversa: O papel do CFO no desenvolvimento de talentos”, no qual os executivos reiteraram que a alocação e desenvolvimento de pessoas nas posições corretas são tão importantes como qualquer outro investimento financeiro.

A capacitação é citada como uma estratégia que não apenas cria diferencial competitivo, mas também melhora o bem-estar dos funcionários.

Significado, propósito e dignidade do trabalho foram os outros três eixos citados pelos entrevistados para manter os funcionários produtivos e satisfeitos. Mesmo atuando diretamente nas finanças, seus líderes precisam sintonizar os colaboradores ao negócio e à sua missão. Kevin Carmody, o sócio sênior do escritório da McKinsey em Chicago, ao ser perguntado como fazer isso, responde:

“Os CFOs precisam usar dados para identificar lacunas de habilidades e entender o que precisa ser feito para aprimorar essas capacidades. Em segundo lugar, precisamos adotar um ponto de vista holístico — por exemplo, ensinar perspicácia financeira básica […].”

Para Carmody, “os CFOs também devem ajudar a desenvolver jornadas de carreira personalizadas e duradouras para que as pessoas, independentemente do cargo, possam realizar os seus trabalhos com mais eficiência e obter mais satisfação com as funções. Quando tudo isso é feito corretamente, você vê um aumento de desempenho. As pessoas têm uma mentalidade de dono e os índices de satisfação disparam”.

Pontos importantes da gestão de pessoas na área financeira

Conforme a pesquisa Insights América Latina em 2021, realizada pela Michael Page, uma das principais consultorias em recrutamento do mundo, com mais de 3 mil respostas de líderes,  74,5% preferem um sistema de trabalho misto, priorizando as áreas nas quais a operação não está relacionada ao uso de maquinários. 

O estudo mostra que 43% das áreas financeiras adotarão o regime misto, sendo que os líderes do Brasil são os primeiros a citar a gestão financeira como passível de trabalho remoto.

Dessa maneira, a gestão de pessoas e retenção de talentos com foco nos profissionais na área financeira passa pelo desenvolvimento da digitalização, segurança cibernética e outras habilidades comunicacionais. Siga a leitura e veja alguns elementos que os líderes financeiros podem trabalhar em seus times:

  • Domínio de tecnologia

Se antes os registros financeiros e as contas eram feitos no papel, calculadoras ou em planilhas, agora eles podem ser armazenados e operados com tecnologias potentes e rápidas na análise dos dados.

Christian Grube, consultor em finanças corporativas da McKinsey na Alemanha, afirma, em entrevista, que as taxas de adoção de tecnologia para usos financeiros aumentaram desde 2018, especialmente na automatização e análises financeiras avançadas”.

Segundo Grube, “ambas foram certamente aceleradas pela pandemia da COVID-19, quando muitas equipes financeiras tiveram que fornecer atualizações mais frequentes sobre caixa e perspectivas de negócios”.

Ankur Agrawal, consultor da McKinsey em New York, na mesma entrevista, afirma que a hora da digitalização nas finanças é agora, o que inclui usar ferramentas e recursos certos. Ele levanta a amplitude de habilidades necessárias para o time financeiro, desde estabelecer parcerias de negócios até mesmo a análise e engenharia de dados.

Então, os líderes devem proporcionar investimentos em equipamentos, acesso à internet, capacitação para os times e outros.

  • Idioma

As organizações, agora inseridas em um contexto predominantemente digital, podem expandir suas estratégias para o exterior e elevar a competitividade global. 

Dessa maneira, os líderes precisam observar a proficiência em idiomas de suas equipes financeiras para prepará-las para a atuação no mercado internacional de trabalho, seja na comunicação e prestação de contas com estrangeiros ou para adaptação às exigências dos padrões globais de conformidade financeira e contábeis.

Afinal, os principais órgãos reguladores do mundo utilizam o inglês como idioma oficial. Financial Accounting Standards Board (FASB) e International Accounting Standards Board (IASB) são duas instituições referências na publicação de normas e princípios contábeis. Empresas no mundo todo seguem suas orientações em busca de padronização e excelência na gestão financeira.

  • Conformidade regulatória na gestão financeira remota

O departamento de finanças é repleto de dados sensíveis. Senhas, acessos bancários, movimentações financeiras e outras informações confidenciais podem ficar disponíveis para várias pessoas simultaneamente, exigindo responsabilidade e segurança.

Em um cenário com trabalhadores remotos, as empresas têm o desafio de manter a conformidade com a proteção de seus dados.

Susannah Hammond e Stacey English, especialistas em compliance, escrevem para a Reuters, que “embora os reguladores governamentais possam ser geograficamente neutros, ou seja, não importa para eles onde os funcionários estão trabalhando em uma jurisdição, todos os controles de conformidade e segurança devem ser igualmente eficazes, independentemente da localização”.

Isso quer dizer que o trabalho remoto ou híbrido não é uma justificativa caso haja alguma identificação de fraude ou outro desvio no padrão de compliance que a companhia promete seguir.

Sendo assim é preciso investir em soluções específicas à gestão financeira que permitam a proteção aos dados e outras táticas como: o uso de chaves individuais de acesso e a automação de processos.

A computação em nuvem é uma tecnologia que consegue atender a esses requisitos, pois permite alinhamento em tempo real e registro dos acessos.  

Alguns softwares de gestão financeira ainda permitem uma versão para que auditores, internos ou externos, possam acompanhar as informações e ter acesso aos dados consolidados.

Dessa maneira, a digitalização e o trabalho remoto que poderiam ser uma janela para crises, tornam-se uma oportunidade para uma comunicação transparente e para o detalhamento da gestão financeira, desde que conduzida com soluções especializadas e de alta tecnologia.

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9 comportamentos do CFO de sucesso

Certos comportamentos são capazes de transformar a liderança financeira, e estudos recentes mostram que CFOs de sucesso buscam aprimorar esses hábitos para obter melhores resultados. Para a Ernst & Young, “adaptação às mudanças contínuas” é visto como um dos comportamentos mais importantes desses líderes, por exemplo. 

Hoje, os diretores financeiros têm ainda mais obrigações do que nos últimos anos. Segundo pesquisa da Association of Chartered Certified Accountants (ACCA), 72% dos entrevistados indicaram que as responsabilidades da função aumentaram significativamente.

E para atender às altas expectativas e demandas de seu papel em constante expansão, como saber quais hábitos, práticas trazem os melhores resultados? O que fazer para se tornar esse profissional? Continue a leitura e vamos decifrar os comportamentos de um CFO de sucesso juntos.

Como se comporta um CFO de sucesso?

A partir de diversas fontes, reunimos alguns dos comportamentos presentes na rotina do CFOs de sucesso. Entre eles, hábitos como ter visão de longo prazo, envolvimento interpessoal e saber identificar oportunidades. 

Um CFO de sucesso:

1. Pensa no longo prazo

O relatório da Gartner afirma que um dos comportamentos de CFOs de sucesso é contribuir ativamente para estipular métricas financeiras e crescimento lucrativo em longo prazo. Segundo a consultoria, esses profissionais desafiam as finanças a cumprir uma missão com visão de futuro.

Antecipar as necessidades da empresa e focar também no futuro são uns dos comportamentos do CFO de sucesso. Ele prevê pontos de atenção no negócio que, ao serem postergados, poderiam deixar brechas para perdas, resistindo à tentação de pensar apenas em curto prazo ao custo de minimizar as iniciativas de crescimento de longo prazo. 

2. Compromete-se com o compliance e a ética

Atuando como um porta-voz de confiança sobre a saúde financeira da empresa, o CFO de sucesso entende que é necessário evitar fazer com que os números pareçam melhores do que são ao discutir os resultados financeiros com stakeholders e conselho. 

Ele reconhece a importância da transparência, está em dia com as regulamentações e mantém um alto padrão de governança. Entretanto, esse comportamento pode ser considerado um dos mais difíceis a ser alcançado entre CFOs. 

Segundo pesquisa da Robert Half, líder mundial em soluções em talentos, mais de 2.200 CFOs nos Estados Unidos admitiram que cumprir as normas regulatórias é seu segundo maior desafio.

3. Identifica oportunidades além dos riscos

Ele exerce seu papel como defensor financeiro do negócio, mas suas habilidades também identificam gargalos para crescimento em longo prazo. Para ele, os riscos identificados não geram pânico, mas inspiração para fazer diferente e encontrar soluções inovadoras.

Discutir novas iniciativas de projetos futuros, analisar propostas de investimento e encontrar oportunidades para gerar receita ao mesmo tempo em que minimiza riscos através da automatização faz parte de sua rotina.

4. Usa a tecnologia ao seu favor

Orientado com dados confiáveis e precisos de análises avançadas feitas por plataformas de automatização, o CFO de sucesso mantém-se preparado para tomar as melhores decisões com o auxílio da tecnologia.

Também promove a transformação digital no negócio e a adoção de novas ferramentas capazes de trazer insights, minimizar o esforço manual, otimizar operações, e proporcionar mais tempo para atividades de valor agregado.

5. Enxerga o horizonte

A auditoria Plante Moran, em seu artigo The CFO cheat sheet: Nine ways to improve effectiveness, reforça que os líderes financeiros eficientes estão atentos ao que está acontecendo e antecipam potenciais problemas, e o CFO de sucesso está ciente dos próximos obstáculos, assim como as oportunidades.

Para o CFO de sucesso, a responsabilidade de estudar o “histórico” da empresa abre-se também para visualizar “o que está por vir” e preparar-se para novos desafios. Ele se mantém constantemente atento a tendências emergentes que possam afetar o negócio, principalmente tecnológicas, geopolíticas e sociais.

6. Desenvolve sua equipe 

O CFO de sucesso não apenas busca ter ao seu lado profissionais capacitados, mas também atua na retenção e na qualificação dessas pessoas. 

A matéria How CFOs Are Adding Value To Working Culture To Win The War For Talent, da Forbes, revela que CFOs com visão de futuro estão abraçando a oportunidade de ajudar a definir as métricas que apoiam culturas de trabalho positivas, e quantificar o retorno do investimento de talentos e programas de treinamento.

Esse líder financeiro motiva seus colaboradores a terem curiosidade intelectual e aprimorarem-se através do aprendizado,  incentivando-os e reconhecendo-os. 

7. Cria uma rede de parceria e network

Dados do estudo Mastering change: The new CFO mandate, produzido pela McKinsey, mostram que as atividades do CFO relacionadas à gerência de relações com investidores aumentaram de 44% em 2016, para 64% em 2021.

Ter uma sólida relação de trabalho com os demais executivos C-level, assim como diretores, gerentes e outras lideranças é importante para o CFO de sucesso, que trabalha constantemente para construir um business partnering e mantê-lo.

Com o CFO exercendo papel de principal fonte de informação financeira, a comunicação direta com membros do conselho, clientes, fornecedores e stakeholders ajuda a construir uma rede interna de insights sobre o desempenho da empresa que não seria possível obter apenas com dados financeiros.

8. Possui visão estratégica do negócio como um todo

A Deloitte, em um artigo recente, mostra que o CFO de sucesso age como um líder de mudança dentro da empresa, e não se limita ao departamento financeiro.

Ele se pergunta sobre os desafios de cada setor da empresa, analisa diversos pontos de vista e estuda como o mercado e concorrentes estão se comportando. A partir disso, estabelece objetivos e formula etapas, unindo planejamento financeiro e estratégico.

Rowan Baker, CFO da McCarthy Stone até 2020, em entrevista para Financial Director, reforça esse comportamento como efeito da mudança do papel do CFO: 

“Já se foram os dias em que o CFO era apenas um guardião das finanças da empresa, Agora estamos amplamente envolvidos na estratégia trabalhando com os outros membros da equipe de gerenciamento. Uma parte crítica do meu trabalho é garantir que todos tenham as informações de que precisam para a tomada de decisão, e às vezes, ser a voz da razão por trás delas, para explicá-las e sinalizar possíveis problemas e riscos.”

9. Conecta-se com seus clientes

Para o Gartner, CFOs de sucesso destinam certa quantia de tempo para manter relacionamentos com o chefe de vendas da organização e também, dependendo do nicho de atendimento, com os consumidores, assim participando da estratégia de preços da empresa. Os diretores financeiros pesquisados pela Gartner relataram que atividades de engajamento do cliente poderiam ser melhor exploradas.

O relatório Turning outwards: Customer Centricity and the Evolving Role of the CFO, feito pela KPMG, confirma que esse comportamento é uma das tendências para a expansão da função do CFO de sucesso.

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A jornada do CFO nas empresas em crescimento

As estatísticas do Bureau of Labor Statistics dos EUA revelam que 20% das empresas iniciantes quebram durante os dois primeiros anos. O mesmo estudo mostra que 45% quebram nos primeiros cinco anos, enquanto 65% o fazem nos primeiros dez anos.

Embora muitos fatores contribuam para esse insucesso, um estudo do Banco dos EUA revela que 82% das empresas falham por falta de gestão adequada do fluxo de caixa. Nesse sentido, a jornada do CFO nas empresas em crescimento é marcada pela sua importância.

E para evitar esses riscos, Marc P. Palker , diretor da CFO Consulting Partners e membro do conselho do Institute of Management Accountants comenta, em entrevista para a Forbes, que para empresas de pequeno e médio porte que estão buscando avançar, o CFO é peça essencial.

Segundo Palker, o papel do CFO nas empresas em crescimento concentra-se na interpretação dos resultados, controle de custos, aquisição de capital e visão de futuro em termos econômicos, governamentais e sociais, além de manter os compromissos financeiros em dia.

Para Palker, o CFO é um dos profissionais mais adequados para engatar as marchas e promover o rápido crescimento da empresa ao trazer investidores, fornecedores, clientes e acionistas.

Continue a leitura para conhecer as etapas da jornada do CFO nas empresas em crescimento e sua importância nos próximos parágrafos.

Etapas da jornada do CFO nas empresas em crescimento

Frederico Braga, CFO da Omie, comenta na palestra “Como estruturar sua empresa para apoiar estrategicamente o negócio” do ERP Summit 2022, que o CFO deve estar preparado para cada momento nas empresas em crescimento, e nesse sentido, flexibilidade e capacidade de se adaptar são alguns dos atributos mais importantes desse profissional.

De acordo com Braga, as etapas das organizações em processo de evolução, assim como as funções do CFO e de toda a área financeira, podem ser resumidas em cinco momentos:

Primeiro momento

A empresa ainda é pequena, com até 50 colaboradores, e o foco do CFO é executar o essencial e manter a boa saúde financeira. O diretor financeiro ainda exerce mais tarefas em vez de apenas ficar isolado em uma função, como no caso de empresas maiores.

Segundo momento

A empresa conta com até 100 colaboradores, e o principal desafio do CFO agora é a preparação para as rodadas de investimento. Nesse momento, a imagem da empresa no mercado é reforçada para atrair investidores e acionistas.

Terceiro momento

Atingindo os 300 colaboradores, o CFO agora deve se preocupar com a profissionalização da área financeira e otimização das operações, promovendo a participação da equipe nas tomadas de decisão. Os processos na empresa já estão definidos.

Quarto momento

No pico dos 1000 colaboradores, o CFO deverá garantir que o compliance aconteça na prática para que a empresa esteja pronta para a próxima etapa. Riscos envolvendo conformidade com a regulamentação, complexidade contábil, normas e procedimentos fiscais são algumas das ameaças que estão no radar do líder financeiro.

Quinto momento

Neste ponto, a empresa já deve ser 100% auditável e preparada para entrada de investidores externos e IPO. O CFO já faz forecasts mais precisos, traça um roteiro claro e estratégico, possui uma equipe executiva eficiente, a empresa fecha regularmente suas demandas dentro do prazo e está pronta para abrir o capital.

CFO como propulsor da cultura organizacional e da definição de processos nas empresas em crescimento

Para Braga, na medida em que a organização cresce, a jornada do CFO deixa de ser multitarefas para se tornar mais vertical, e surge a necessidade de se implementar processos, o que não quer dizer que a empresa deva ser engessada, mas mantê-la ordenada.

“Processos precisam ser estabelecidos o quanto antes. É necessário um sistema de gestão adequado para auxiliar na análise e nas decisões estratégicas. Não significa que a todo momento a decisão estará certa, mas é importante deixar claro como essas decisões serão tomadas”.

Além da estruturação dos processos, o CFO também é responsável por alavancar as empresas em crescimento através da adoção de uma cultura organizacional. No podcast CFO Weekly, Jeff Lasher, CFO da empresa de varejo americana GrowGeneration, comenta que “a cultura de qualquer negócio é um fator-chave de sucesso para o crescimento da entidade em longo prazo e para o sucesso dos negócios”.

Mais do que software, uma solução completa. Este conteúdo faz parte do propósito da Accountfy de apoiar a Governança Financeira das empresas com excelência. Conheça soluções e produtos para potencializar o trabalho de Contabilidade, Controladoria, Tesouraria, FP&A e do CFO. Saiba mais sobre a nossa plataforma financeira inteligente!